segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Gratidão

(Vídeo: daqui)


Por não estarmos sozinhos. Por toda a liberdade para sorrirmos. Pelas dádivas que nos alcançam enquanto nem as percebemos ainda. Pelo livramento.
Devemos tudo aos cuidados de Quem está além das nuvens. Do Único que criou todas elas e nos fez para sermos preenchidos com a Sua felicidade. A data de hoje é só uma coincidência. Esse é um agradecimento tardio, mas eterno. Obrigado! 

Todo o mal passará, eu sei!

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Kokura

(Foto de Rio Kuncoro no Pexels)

Hoje pela manhã, conversava com uma senhora enquanto esperávamos o calor esquecer de nós. Desejava uma nuvenzinha de algodão por algumas horas, então ela me contou a história de uma cidade que foi salva por nuvens de algodão há muitos e muitos anos durante a segunda grande guerra. Seus pais puderam ver os filhos crescerem e eles puderam sorrir, embora o mundo continuasse o mesmo. Foi uma benção aquelas coisas tão leves terem surgido em suas vidas.

Ao lembrar das palavras dela, meu espirito se encheu de esperança, apesar de o mundo ter permanecido o mesmo. Ela perguntou antes de irmos embora, o que eu desejaria se me fosse possível alguma coisa mudar. Olhei para cima e pedi que coisas leves como nuvens pudessem ser instrumentos de milagres amanhã, e falei que desejava que os filhos de Francis Nash tenham a mesma sorte que os filhos de Kokura.

Ela não entendeu. Eu não pude explicar. Mas ela me sorriu dizendo que contra o mal todo desejo se realiza.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

O Mundo de hoje de manhã

(Imagem: daqui)

Não consigo recordar quando tudo começou a mudar. A primeira lembrança foi de quando resolveram substituir empatia por outros termos. Mas não sei o que veio antes. Depois veio um turbilhão.
Já não era mais possível se colocar no lugar do outro apenas por ter sangue nas veias e algo no coração. Era preciso mais, o mesmo tom, o mesmo local de origem. Então percebemos que estávamos classificados em grupos e toda vez que tentávamos nos abraçar parecia que eramos um jogo de lindas bonecas Matrioscas, mas na verdade viramos cebolas descascadas até sobrar quase nada. Apenas o choro era verdade.

As nossas profundidades e vazios nos distanciam, mas não era assim há pouco tempo. Sempre fomos tão diferentes e isso nunca foi um problema. Depois da escola, nos fins de semana, ao ligar a TV. Nada disso nunca nos ocorreu. Chamar de inimigo e se afastar de alguém que abraçávamos todos os dias no intervalo de uma aula comum, num fim de dia comum, soa como se a humanidade tivesse sido abduzida. Não! Nós demos nossa própria humanidade de presente para alguém que sequer conhecemos. E agora obedecemos ordens e conselhos de um vulto distante.

O seu perfume ainda está em minhas roupas, todas as conversas, todos vocês.
Nunca nos perguntamos para que time torcíamos antes de decidir se era licito ligar ou se importar. Quem nos ensinou isso agora? Na porta da escola tudo parecia claro. Eramos nós e o mundo ao redor, nós ao redor do mundo onde agora crescem muros. Quem te ensinou que apenas quem já passou pelo que você passou pode chorar por você? Enquanto também me definho por sua dor, você deixa seus braços abertos para outros que te consolam. Outros que usam o seu lamento como um hino para os empreendimentos deles.

Nossa felicidade é a ruína da canção deles e eles nunca te dirão! Vamos voltar a cantar as nossas músicas! Você nunca se importou com a afinação. Eu sei, pois sou da mesma substância que você. Você e eu somos iguais. Iguais, iguais! Não vamos nos enganar com o sol dessa manhã. Certamente ainda não amanheceu verdadeiramente! Eu não quero mais atirar pedras e chamar isso de liberdade!

Vamos fechar os olhos e quando abrirmos não estaremos do meu ou seu lado do muro, ou do lado do muro que disseram que deveríamos estar. Vai ser dia e haverá canções que não dividam, que aceitem as nossas folhas como antes. Canções sólidas e cristalinas, que deixarão vermos novamente as nossas raízes. No "três" nós podemos começar? Você vem?

1.. 2.. 3!!!

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Nashville

(imagem: daqui)

Uma luz intensa clareia o céu da cidade.
Eu não sabia que haveria uma sequência em Nashville
Depois dos dardos em Nova York, um clarão em Nashville.
Avise aos seus moradores para não se aproximarem desse calor.

São Francisco e Chicago em meus fones de ouvido durante toda adolescência.
Fujam, pois eu as amo! Embora não aguente ver a aparência no espelho.
Fuja Nashville, luz demais cega os olhos! Ela vai queimar sua pele.
Quão diferente poderia ter sido a sua paz se os caminhos do principio fossem sempre trilhados.

Nossos corações estão no campo.
Nossos corações estão com vocês em espera.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Como sair do labirinto (o texto deste mês foi perdido)

(imagem: daqui)

Deveria haver um texto que foi programado há um mês aqui, mas o que aconteceu é que o Blogger vai mudar para uma interface nova e solicitou que experimentássemos ela. Pois bem, mudei e estava editando o texto final, mas ao voltar para a interface de edição nessa interface nova não havia mais nada, apenas a imagem e o título.

Quer dizer, o texto ainda está em minha cabeça, não todo ele, mas a sua essência. A essência é importante, mas ela não vai trazer aquele texto de volta, assim como um segundo beijo nunca traz o primeiro. Eu ainda sei dizer como sair de um labirinto, talvez esqueça se não escrever, mas tô com muita raiva de tudo isso.

Vou voltar a escrever no bloco de notas como há dez anos, copiar e colar aqui. É mais arcaico, mas muito mais seguro. Coisas como esta devem ser o minotauro de todo o escritor. Não que eu seja um. Bom, quando estiver fora desse labirinto falo sobre isso melhor.

Vocês tinham que ver, a interface nova é bem feinha. Um monte de coisa grande e ainda engole o texto dos outros. Não vou reclamar mais. Estou devolvendo o valor do ingresso para esta postagem na bilheteria. Passem lá depois.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Libertos!

(Imagem: daqui)

Eu de mãos dadas pelas calçadas, vento frio de fim de tarde, sol atrás de pequenos edifícios comerciais, rio à frente. Alguém de jeans azul há poucos metros esperando para atravessar a rua com a pele iluminada pelo sol que não me alcançava ainda. Levantei a cabeça e vi os cabelos dela mostrando a ponta da orelha, já era tarde. Os seus olhos me alcançaram enquanto eu mudava a direção dos meus passos.

Minha mão foi puxada para baixo, me fazendo parar e a voz ao meu lado dizia: "estão chamando seu nome, é alguém que você conhece?" Até então estava pensando nas desvantagens de morar numa cidade tão pequena, quando ela fez sinal para o rapaz que a acompanhava esperar enquanto vinha. Fiz uma breve apresentação e perguntei, tentando esquecer as mágoas, como ela estava. Ela olhou para meu lado, sorriu e dirigiu de forma doce palavras em minha direção.

"Eu já te fiz tanta coisa de que hoje me arrependo. Que bom que você está feliz, posso te abraçar?"
"Tá." - Eu não tenho certeza se realmente falei ou se apenas demonstrei que não negava o pedido.

Confesso que até pouco antes do momento em que os braços dela me cercaram, esperava algo diferente de tudo o que viria a acontecer, como o meu assassinato, a transmissão de um vírus mortal  ou policiais saindo de veículos estacionados apontando armas. Mas ela tinha um senso de urgência que eu não conseguia decifrar por não ter passado por coisas que ela passou nos caminhos que andou depois que nos separamos.

Então toda a estrutura do meu corpo estremeceu - era isso!  O cheiro dela ainda era doce e ainda sabíamos ler um ao outro, mesmo com as feridas e as coisas que deixamos pelo caminho - era isso! Eu não sabia que não tinha essa força. Não tinha a menor noção de que podia ser tão fácil assim também.  Como é idiota tentar ser forte o tempo todo!

Ela estava ali feliz na minha frente, olhando a pessoa que acabava de ser apresentada a ela me esperando, e sorria para ambos, liberta.  Metade de mim derretia pela valeta na rua e a outra era levada pelo vento que os carros faziam ao passarem alheios a nós na calçada. Eu nem sabia que estávamos presos, até que aquele gesto me libertou também.

Que sorte nós temos de ainda podermos nos alcançar depois do amadurecimento, para enterrar de vez a mágoa, depois de todo o amor que um dia existiu ter ido embora e antes de todo esse distanciamento chegar.

domingo, 12 de abril de 2020

Mundo analógico

(Foto de Anna Shvets no Pexels)

Estamos mais conectados que toda nossa tecnologia. Os mais atentos veem que sempre estivemos. Perdemos a percepção, não as conexões. Embora não perceber seja o suficiente para abrirem caminhos em que os laços sejam desfeitos.

Hoje estamos todos em casa e um vírus na China foi transmitido para corações aqui no interior da cidade em tão curto tempo. Esqueça a localidade e a desgraça por um momento: o amor em qualquer lugar do mundo também não chegaria?