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sábado, 30 de abril de 2022

Da janela do quarto andar (Quase dá para voar)



(Imagem: daqui)


Uma rua vazia  de toda a luz do sol
E as pessoas trancadas assistindo TV

Vejo correntes
Não vou mais passar por ali
Vejo correntes
Não há um principio em si
Vejo correntes
Onde tudo pouco importa

O fogo queimando o que era tão belo
E as pessoas sentadas assistindo a cena

Vejo cometas
E vão se chocar contra mim
Vejo cometas
Da janela do quarto andar
Vejo cometas
E a gente pensava que nunca teria fim

Papeis de cartas vazios e toda a luz do mundo
Brilha em quem a tudo ama e só quer ser feliz


domingo, 27 de dezembro de 2020

Retratos

(Imagem daqui)

Mais uma ceia. Três gerações. Algumas ausências vencidas pela tecnologia. Mesa cheia e corações também. Conversas até a madrugada. Despedidas, sorrisos, luar e estrelas. Esquecemos das fotografias, dos papéis de memórias que olharíamos no futuro para falar deste dia. Não faz mal, papéis se perdem, queimam ou molham. 

No intimo sabemos que o que passamos há poucos dias não caberia em nenhum retrato. Nossos rostos e almas livres não se lembraram dos detalhes que a felicidade ocultou. Os anjos no céu registraram e em breve teremos isso para sempre. 

terça-feira, 22 de julho de 2008

Uma semana à luz da familia e amigos

( Foto: Jose - http://www.flickr.com/photos/raveneye)
Andava pela casa em direção a cozinha quando percebi meu quarto mais claro que o de costume. O motivo era que os raios de sol entravam pela janela e refletiam na capa de um livro embranquecendo todo o quarto. Essa brancura causou a sensação de estar no topo de um lugar muito alto, de onde dá para observar a cidade ou mesmo o mundo inteiro sem que nada de mal pudesse me atingir.
Quis não querer perder essa sensação, e por ter sido tão breve tentei continua-la por mais tempo o que me lembrou que semana passada durou menos tempo do que gostaria, mas o mês ainda não acabou. Mesmo que às vezes eu esqueça.
E ao inicio do novo ciclo pude enxergar que há paz em cada canto da casa e da vida.
Só pude perceber porque finalmente consegui me achar e ver que me interesso por outras coisas que não apenas as de antes. É importante que não esqueça, pois posso me perder de novo. Quase sempre me perco de novo.
O que quero dizer é que o passado pode ser um belo quadro para olhar em certas ocasiões, mas nunca, nunca para viver nele - desisti de viver nele.
E essa percepção despertou um sentido de liberdade – alma leve e corpo tranqüilo – bem como uma admiração pelo desconhecido, como sentir saudades por um filho que ainda sequer nasceu.

Não é que eu me perca para depois me encontrar, é que não consigo ficar “encontrado” por muito tempo. Talvez isso nem seja um defeito, é apenas o que é.
Sei que isso pode ser problema, pois vivo cercado por pessoas que tem motivos de sobra para reclamar de mim, mas nunca reclamam. Elas preferem dar uma segunda chance. E são elas quem me fazem me encontrar, assim como a luz no quarto também fez.

Nessas horas penso que esse pessoal tem parte com Deus, porque sempre penso nEle quando passo a pensar neles. Também porque sei que assim como aquela luz só poderia estar a iluminar a vida daquele modo que aconteceu, essas pessoas também iluminam minha vida desse modo: Deus quer que eu O veja todo dia, e para que eu entenda me fez ter família e amigos.