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sábado, 30 de abril de 2022

Da janela do quarto andar (Quase dá para voar)



(Imagem: daqui)


Uma rua vazia  de toda a luz do sol
E as pessoas trancadas assistindo TV

Vejo correntes
Não vou mais passar por ali
Vejo correntes
Não há um principio em si
Vejo correntes
Onde tudo pouco importa

O fogo queimando o que era tão belo
E as pessoas sentadas assistindo a cena

Vejo cometas
E vão se chocar contra mim
Vejo cometas
Da janela do quarto andar
Vejo cometas
E a gente pensava que nunca teria fim

Papeis de cartas vazios e toda a luz do mundo
Brilha em quem a tudo ama e só quer ser feliz


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cobertos pelas bençãos




Você apenas olhou enquanto eu pronunciava bençãos diante de seus olhos 

Quem iria imaginar que acabaria? 
Essas coisas feitas para a eternidade nunca tem um adeus que se encaixe 
Elas jamais terão! 

Você pensa que poderia ter me segurado e me amarrado um pouco mais forte 
Mas veja seu rosto iluminado como um raio, você já sabia antes de mim! 
Esse segredo não será mais tão doloroso 
Eu sei que não vai doer mais 

Isso é melhor para o seu coração do que te deixar ir 
Sei que você nunca partiria e esse segredo te faria sangrar 
O seu comprometimento não te deixaria partir, mesmo com a cidade em ruínas 
Agora eu sei que não vai doer mais em você se eu for

Eu sei que não vai doer mais 
Eu sei

Para: K.T. C. e a juventude.
Que as bençãos os cubram e não se percam do caminho.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

... Nº 07

Ou A metamorfose




Quando certa manhã Alisson Samsa despertou, depois de uma noite mal dormida, achou-se em sua cama transformado em um monstruoso blogueiro. De frente ao espelho o casco duro e as duas antenas longas o assustaram a ponto de não querer sair de casa. De que forma seria recebido um ser que, embora no fundo fosse humano, por fora provocava asco até para si mesmo? E seus pais? E se eles pensassem que um ser de outro mundo houvesse devorado seu filho?

 A dúvida durou pouco, até lembrar que noite passada eles tinham partido. Cada um arrumou sua própria família como os filhos fazem depois de crescidos. O jovem Samsa, então, perguntava-se se tinha cumprido bem o seu papel de filho às avessas e havia criado bem seus pais para o mundo que agora eles decidiram ter. A solidão era insuportável.

Durante o dia o jovem asqueroso escrevia num bloco de papel coisas que na verdade eram grandes pontos de interrogação e exclamação sobre o que acabara de acontecer com ele e com o mundo há séculos e séculos... Essas folhas eram soltas pela janela do quarto no período do dia em que as pessoas passavam pela rua estreita e silenciosa.

O jovem Samsa tinha fome e esse era o único contato que ele tinha com o mundo, o único que ele se permitia ter depois de perceber que sua aparência provocava medo e nojo face a face com outras pessoas, foi então que percebeu que sua enorme fome não saciada era mais bonita nas folhas de papel do que na realidade. Na vida real aquilo era um incômodo aos outros.

Suas patas afiadas e sua boca com duas pontas não lhe permitiam segurar nem comer nada convencional, e falar era impossível, para escrever ele melava a ponta da extremidade de sua pata em tinta. Percebeu que a noite, quando não dormida, também era um bom refúgio. No silêncio seu coração cantava uma canção. - Se foi por escolha própria Alisson, Para quê te serviu essa metamorfose?

Num tempo em que a maturidade estava em uma outra estação, o casco do Jovem Samsa foi encontrado partido ao meio e seco em seu quarto ao lado da janela. Uns diziam que ele tinha morrido há vários dias, mas outros – os que tiveram contato com as folhas que alçavam vôo da janela – diziam que não. Eles diziam que ele tinha ido atrás de sua família, refazer o lar de verdade de novo. 
A vida é mais bela depois que buscamos compreendê-la perdoando e pedindo perdão sem desistir jamais. O resto são coisas pequenas.