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domingo, 30 de junho de 2024

Obrigado!

 

(imagem: daqui)

Você me deu o maior presente que um homem com a cabeça no lugar poderia desejar. E eu ganhei isso antes de estar completamente ajustado para receber esse dom. Durante sua passagem por aqui não pude agradecer à altura, assim como hoje ainda não o poderia fazer. Pessoas como você são gigantes na Terra. São pessoas para as quais o planeta foi fundado. Edificadores da humanidade. 

O seu legado me constrange ao perceber o quanto estou longe de sua perfeita imperfeição. Aquele tipo de imperfeição que é aceito por Deus, quando Ele olha para nós com a Sua graça. E mesmo depois, quando as lagrimas secaram e eu fico me sentindo perdido e deslocado, consigo sentir essa gratidão por você ter existido e vivido ao nosso lado. 

Me perdoe por não ser capaz de agradecer à altura, e por não ser capaz de fazer isso ainda. Mas quando nos reencontrarmos quero mostrar o meu presente a você. O nosso presente a você. Ela terá o seu nome e seremos gratos pelo resto da vida. Obrigado por sua grandeza! Obrigado por ser uma edificadora dos caminhos que a humanidade às vezes nem lembra que está pisando, mas que não seria nada sem ele. 

Até breve!


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Outro adeus

(Imagem de Myriams-Fotos por Pixabay)


O tempo corre sempre alheio à nossa vontade. O amor e a violência também. Tudo o que não podemos controlar anestesia-nos da forma brutal que certas despedidas se vestem.
Chegamos ao último dia do mês, e os que ficaram em outras estações não conseguem ouvir o nosso adeus daqui.
Todo dia é dia de encontrar e dia de partir.

Ao céu, à liberdade, aos outros, à vida, ao infinito e à sinceridade que nos esbarramos. Adeus! que tenhamos sido agraciados!

domingo, 23 de janeiro de 2022

De coisas não ditas

(imagem: daqui)

Pensava em um monte de coisas para te dizer antes de chegar até você, mas as esquecia em sua presença. Hoje elas ficam em minha cabeça durante à noite agora que não nos veremos mais. Só a lembrança de suas últimas palavras de bênçãos me trazem o conforto. Sinto mais luto pelo mundo que te perdeu do que por sua partida, embora a ausência doa. 
Você foi digno!  Até breve! Até sempre!

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Diga que você pode ver!

(Imagem: daqui)

A rotina, às vezes, não nos deixa meditar sobre a natureza de nossos trabalhos. Estava fazendo as contas de quantas pessoas perdemos do ano passado pra cá. Foram pais, mães, avós, irmãos e amigos... Não consegui mais ter a certeza depois do número quatorze. E estávamos nos mantendo tão longe, então outras coisas também os alcançaram. Ao somar os que se foram infectados, os pais e irmãos de meus colegas e amigos e alguns colegas, a ficha caiu como quando você percebe um carro prestes a te atropelar. 

Passo algumas noites em claro às vezes. Não consigo confiar no que vejo na TV, pois pra mim os números tem nomes. E a doença é tão lucrativa para quem só sabe contar. O medo é a maior fonte de lucro que a humanidade poderia se apropriar. Há ausências em muitas casas conhecidas e isso faz tanta falta no dia a dia no trabalho e depois que estou em casa... Não tinha parado para pensar por talvez não querer sentir, mas foi como tentar curar uma ferida apenas botando a mão no lugar de onde o sangue está saindo!

Não conseguia parar de questionar as chances de ter levado o mal para muitos deles quando nos procuravam, mesmo com todos os cuidados, mesmo sem apresentar sintomas. No dia a dia falamos para esquecermos, que o risco é a natureza de nosso trabalho nessas ocasiões e que seria pior se não estivéssemos ali. Muitos de nós também não caímos? Alguns para nunca mais... Era uma guerra desde o inicio, e de que serviram os pacifistas se não nos deixaram enxergar? 

De um ano pra cá eu tenho dormido mal às vezes, e tenho me privado de algumas coisas para que pessoas não se percam. Mas agora tudo isso pareceu tão inútil que senti vergonha por não ter chorado essas dores antes. Por não ter lutado com todas as armas disponíveis. Agora é tão fácil entender que não adianta ter um lugar para voltar se as pessoas que iluminavam esse lugar não estão mais lá. Virei um robô de um ano pra cá e não consegui enxergar até os faróis inundarem minha retina. 

Pensar que filtrar as informações e agir com base nisso numa passividade inexplicável nos livraria do mal foi uma ilusão. Nós protegemos as portas e as janelas para depois olharmos atônitos a inundação solapar os alicerces por outros motivos também. A casa está de pé, mas qualquer vento balança toda lagrima agora. Que peso maldito! Que escolha furada ser um pacifista em um mundo em guerra! A punição para esses será pior. Lidar com as ausências já é... 

Nós que estamos aqui vamos fazer a única coisa digna que nos resta que é reerguer espíritos e humanidade. Para os que foram sem despedidas dignas, vão em paz! Que o Criador os receba em Seu seio e nos perdoe por nos curvarmos tão fácil ao mal e às ameaças.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Julie Anne

(Imagem: Flores Azuis - Lúcia Maria Fernandes - Olhares.com)


Choveu tão bonito na tarde em que você se foi, e eu tirava fotos de flores azuis antes de saber.

Tenho certeza que Deus estava por perto, pois esse clima me confortou (antes mesmo de saber).

Quando te encontrar naquele grande dia espero poder dizer o quanto te esperamos, o quanto te amamos mesmo sem termos conhecido você. Peço a Deus que isso aconteça, que Jesus nos dê forças.



Até breve!