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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Não me proteja.

(imagem: el fuego - olhares.com)

O asfalto de dia é diferente do asfalto à noite. E agora dá pra ver de forma mais nítida que, onde quer que se olhe, os horizontes estão sendo tomados por prédios dos mais variados modos e tamanhos. É assustador para alguém da minha idade ver um horizonte de concreto, ao invés de algo azul ou verde – que nem a esperança.

Um gesto de leveza pode ser interpretado mal. E a arrogância toma conta dos bem sucedidos, (nem todos), a maior parte deles. Às vezes não há um só riso ou um “bom dia!” pelas ruas e avenidas. Não consigo acreditar que todos estão ficando cinza que nem o horizonte ao redor. O que houve com a minha cidade?! Desde quando demonstrar força é sinal de fraqueza? Quem falou que a arrogância é pré-requisito básico para ser bem sucedido na vida?

Todos estão prestes a entrar num sono assustador, e eu não sei por qual razão, mas sinto. Mas se for por causa dos horizontes fechados de agora é só olhar pra cima onde o céu ainda é azul à noite, e nada cinza poderá tocá-lo.

Se você levantar a cabeça em meio ao rush do meio-dia ou das 18:30hs em minha cidade, poderá ver como agente era há algum tempo atrás.

Quando estou dormindo meu coração ainda está desperto, quando todos parecem estar protegidos do mal ao redor, pareço ser a única vítima (ou na verdade um louco de rua).

“Isso não é nada comparado à New York ou São Paulo. Você tem que viver a vida que está ai!” Quando ouvi isso percebi que aceitar a “viver o que está ai” é a camada protetora que as pessoas usam para não pirar em meio ao caos quando este parece progresso, -como uma droga tomada para se alienar dos problemas.

Ah, por favor! Eu não quero essa proteção! Não falo do asfalto e edifícios, nem do horizonte cinza, mas do cinza-concreto que passou a estar em cada coração, e o pior! Passou a ser buscado por nós mesmos para estar em nossos corações.

Como eu odeio a cidade que eu amo!

O céu de noite parece cada vez mais distante...





sábado, 22 de novembro de 2008

Roda viva

(Imagem: Catarina Krug - Olhares)



No começo, logo de inicio, era algo inexplicável. Corria para os discos e livros no intuito de fazer passar e passava, mas logo esse artifício não adiantava muito...
Por longo tempo pensei que era algo banal, é algo banal.
Quando encontrei a paz [entenda-se Cristo] isso pareceu ter ido embora, e foi mesmo. São dias claros de céu azul e sorriso no rosto, camisas de cores pra cima. E não há mais medo da noite ou madrugadas acordado agora.
...de alguma forma pareceu voltar, com certeza voltou. Mas não vou entregar tudo o que conquistei assim de mão beijada, ah não mesmo! O que aconteceu? Eu estava de guarda levantada. Como ela conseguiu me atingir? (???????)
Dizem que a tristeza é uma forma de egoísmo (foi o Arnaldo Antunes quem me falou pessoalmente através da TV ^^). E deve ser mesmo, com certeza é.



Você chega todo o dia à noite
Ou quando estou sozinho
Me tira pra dançar num ritmo frenético,
Vertiginoso para baixo.
É tão quente o seu sorriso
Você me aquece
Me faz companhia
Vindo em minha direção
Com uma arma suja de sangue nas mãos
E quando digo que posso morrer desse jeito
Você sorri e responde diante dos meus olhos:
“Ei, você já está morto há muito tempo,
É que ninguém percebeu!”


Minha doce menina
Você está comigo o tempo todo
E eu não lembro do teu rosto
E pensando bem nem te conheço
Mas você sabe tudo sobre mim.
Minha doce tristeza
Pode vir à hora que quiser
Mas não me leve com você
Venha à hora que quiser
Mas não me leve com você!

[escrito entre estações em algum dia de 2006]




Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Eu não teria o nome que hoje eu tenho
Mundo mundo vasto mundo
Ah, eu não teria mesmo!



“Deixo com vocês a paz. É a minha paz que lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos nem tenham medo” – Jesus (João 14: 27).

“Tu és o meu esconderijo; Tu me livras da aflição. Eu canto bem alto a Tua salvação, pois me tens protegido” (Salmos 32: 7).

E eu nunca precisei tanto dessa ajuda como hoje!


(Hoje são lua e estrelas, e um sol covarde que foi se esconder do outro lado do mundo).

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Do que tenho certeza

Aracaju: Praia 13 de julho (imagem:http://www.indectelecom.org.br/ )
Um... Dois... Três... Quatro. (na rua) Carros passando sobre o asfalto que a chuva acabou de molhar e pássaros cantam.
(dentro de casa) O indefinido que a chuva trouxe com ela rondando a casa, a TV ligada nas noticias do esporte.
Antes batia uma coisa em meu peito e nunca havia nada, agora há e não é a mesma coisa que sentia quando achava que era. Aquilo era outra coisa. E não transformou-se no que se deu inicio agora, pois o que se inicia nesse momento não pode regressar até se transformar em algo baixo. Isso é bom porque não há riscos de voltar ao modo que era. O que sinto agora é uma coisa diferente do que já senti um dia.
- E você pode estar perguntando: Do que é que ele está falando? -também me perguntava isso antes de ter a certeza.
Dá para perceber, é algo se move em algum lugar no universo - talvez seja isso que mova o universo. E quando a noite vai alta ou o dia sopra seus ventos encanados entre edifícios esse indefinido ressoa em todas as pessoas, é que, às vezes, não percebemos. Mas hoje percebi o que já estava ai desde épocas remotas. E depois de olhar por tanto tempo esqueci como era a visão que eu tinha antes. Se quiser chame de amor então. É que prefiro a definição da personagem Tereza no filme Sonho de Valsa, ela diz: É “o amor que eu tenho pelo meu amor que ainda não tenho”.
Porém, o simples fato de senti-lo é prova suficiente de que existe.