domingo, 30 de abril de 2023

Sobre nascer de novo

 

Imagem (daqui)


Existe coisa mais difícil que voltar a ser criança? Largar a autossuficiência, pedir e dar perdão... sorrir depois do choro ao lado de quem te fez chorar... brincar entre (pequenas) responsabilidades, correr para os pais nas adversidades, não sentir o tempo passar...

Chega uma fase da vida em que tememos ser tudo isso, pois achamos que são atitudes de adultos derrotados. Então esquecemos que já vivenciamos todas essas coisas sem um pingo de temor quando nem sabíamos pronunciar vitória e derrota.

Esse fim de semana viajei para o interior do interior de meu estado, conheci e revi pessoas encantadoras (crianças, adultos e velhos) e até assisti a um batismo. Nós da cidade tememos levar uma vida tão simples e perdemos um tipo de vida que deixa o espirito ser grande por puro medo.

Pensamos demais em como o mundo não é movido pelas crianças ao viver nossas vidas, e acordamos cedo para mover a engrenagem que nos distancia da infância e nos aproxima de um adulto de sucesso, ou do que ser adulto e ter sucesso signifiquem hoje em dia. Mas também esquecemos que o reino dos céus foi feito só para as crianças e para os que aceitam nascer de novo. 

Que fiquem com tudo, pois hoje descobri que quem deixou de ser criança ainda pode nascer de novo agora e herdar as coisas superiores. 


sexta-feira, 31 de março de 2023

Você sabe aonde vou ao entardecer?

(Imagem: daqui)


Depois de tantos pedidos para que eu fosse embora, você me pergunta onde sempre ando ao entardecer, e com um sorriso sarcástico diz que irá me seguir. Digo que vou a lugares livres e você finge espanto enquanto diz que já estamos num local livre o suficiente. Mas ele é livre para você e para a liberdade que você decidiu escolher. Ela não tem asas para mim e para outros iguais e desiguais. Você é livre para insultar, desejar o mal e até a morte. É livre para fazer tudo o que te faz feliz. 

Eu quero a liberdade de falar do que creio sem ser expulso de um lugar. De andar com os livros que leio sem incendiarem o local de onde os tirei nem quebrarem os dedos de quem os escreveu. Livre para viver o dever de todo homem que nasce na terra. O de não ser um escravo nas grades que as pessoas que veem liberdade como um fim em sí constroem para seu semelhante.

Se você pedir um exemplo prático de paz, amor e liberdade para muitos que empunham uma bandeira branca, entenderá que só é livre quem não é pego andando com eles. Esse mesmo pedido prático na frente de um espelho, pode libertar quem ousou fala-lo também. Não te digo onde vou sempre que a tarde canta por que é preciso uma outra frequência para chegar até lá. 

E não é que você não possa alcança-la. Não! É por acreditar no contrário que volto todas as manhãs para ouvir seus insultos. Eu também já os proferi para os que resplandeciam os rostos ao entardecer. E minha alma ficava nua junto com a "paz", o "amor" e "liberdade" que me embriagavam fingindo serem verdadeiros, agora jogados no chão.

Não digo onde vou para que, depois de você ter me seguido, não confundir as coisas achando que fui eu quem te levou até lá. Para que não caia nesse tipo de prisão. Quero que você perceba a musica que clama dentro do seu peito no exato momento em que você está para proferir mais um insulto. Ela é a chave e também não vem de nós. Apenas habita conosco. Se você calar, já estará lá. É difícil crer nisso, eu sei. Mas o caminho só se faz no silêncio que habita em nós depois que soa a canção. É como estar a beira da morte ou negando o próprio ser. 

Mas se você desviar a atenção do chão desmoronando sob seus pés, poderá sentir as asas te mantendo firme na direção de cada nota naquele lugar. E tudo o que era antigo deixa de fazer sentido. Você só pensa em voltar todos os dias para mostrar às outras pessoas o que elas podem alcançar - o presente que foi dado a elas e que não se esgota. Você acha que sou alguém que gosta de apanhar. Mas se insultos e indiferença forem o preço, a liberdade é muito barata. Cada novo rosto resplandecente é um salário mais do que justo de receber. 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

A resposta do silêncio

(Imagem: daqui)

Acordamos felizes ainda de madrugada. Parecia a pura juventude e as memórias numa espécie de jukebox.



terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Perguntas ao homem livre (Revisitado)

 


Homem livre, onde está você?
Na liberdade de 7 às 17
Ou livre no peso leve
De não haver horários?

Homem livre, que livros você lê?
Eles falam de pores-do-sol
De um mundo melhor
Você os sabe ler?

Homem livre, qual foi o seu sacrifício? 
O que ele custou a você?
Como está o mundo agora?
Você gosta do que vê?

Homem livre, livre-se de ver a si mesmo
Buscando grades para montar prisão
Como os tiranos
Como os homens presos desse mundo
Que pensam que são homens livres


sábado, 31 de dezembro de 2022

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Da sobriedade para deixar o mundo girar só

 

(Imagem: daqui) 

Parecia que esse novembro iria terminar em paz, como há certo tempo não viamos um mês terminar. Os vencidos e os vencedores não se enfrentavam mais, uma nevoa pacifica pairava por todo o ambiente, ou haviamos interpretado errado? Não, realmente viamos sorrisos pelos corredores. Algumas indiretas, não nego, essas nunca cessarão, mas tudo estava mais leve e até sentavamos juntos pelo fim da tarde. 

Todo aquele processo de anular os outros, de classifircar, à lá Guestapo, as pessoas que não pensavam em conformidade com certos pensamentos e que não deveriam ser tratadas mais como pessoas, ou coisa parecida, deu uma leve pontada como uma dor de dente que ficou o dia inteiro sem se manifestar aparecendo dizendo: ainda estou aqui! 

Falavamos de qualquer coisa e riamos alheios ao tempo, até você me perguntar se tomaria mais alguma dose da nova bebida que você tanto amava. Com o espirito envolto pelo clima da confraternização disse que não, pois já estava com o copo cheio. E você me falou que era preciso, pois o clima já estava mudando lá fora. 

Mas depois de ter vivido todo o processo e os eventos de cerca de dois anos para cá, resolvi prestar atenção à contradição, ao invés de focar apenas nas palavras de bondade que duravam o tempo exato de uma vontade contrária se manifestar. Nunca vi um clima tão democrático - falei- que fecha caminhos e aprisiona quem só queria respirar, mas escancara portas e janelas quando precisa que essas mesmas pessoas presas apertem botões para que a roda do poder continue a girar a favor de quem tem as chaves da prisão.

Já sabia que isso seria o bastante. Olhares diziam que deveria ter ficado calado. E antes de poder questionar se ignorar isso não seria aceitar que estavam nos chamando de burros com o nosso consentimento, uma voz doce - nos ultimos anos as palavras mais violentas vem de lábios e vozes doces - falou sobre a minha condição naquele local e em como poucas palavras poderiam tirar tudo aquilo de mim. 

Seu copo pode estar cheio, mas nele caberão quantas goles dessa bebida forem necessários - a doce voz. Não é escolha só sua - ela terminou convincente trazendo os olhares de todos em minha direção. 
Antes de me levantar e ir embora deixando o copo cheio na mesa olhei para o céu para ver se a chuva que molhou nossa cidade hoje a tarde já havia passado. Sim é minha escolha - sorri. Sempre foi e sempre será. 

Quase tudo, todos os dias, varia, mas parece que algo mudou no espirito humano para uma coisa não tão boa e veio para ficar. Já estava de costas na calcada quando ouvi um "vamos ver" ecoando como quando um soldado está cumprindo um dever redigido em mesas estranhas por mãos que nem sabem ou se importam com a existência de quem cumprirá as ordens. 

Esperava o retorno desse comportamento tão hostil, como uma dor de dente, lá para o ano que vem. Junto com o canto dos vencedores. Sinceramente não tinha esperanças de que a trégua duraria tanto. Coisas e pessoas para anular e serem anuladas. Eu não quero mais uma dose do sentimento que embriagou a humanidade nesses últimos anos. Ele sempre se veste de algo novo.

Parece que a derrota não basta. Mas decidi que não será mais tempo de ser feliz às escondidas nem de permitir que transformem em cacos outras existências. É tempo de voltar ao front. Sóbrio dessa vez. Nem mais um gole! A vida é comoum jogo de "Verdade ou Consequência" sem saber, às vezes, que essas duas coisas nunca andarão separadas um só segundo. 

domingo, 30 de outubro de 2022

Cinco a vinte e cinco

(imagem: daqui)


Tive uma ideia besta essa madrugada de começar a vida como se estivesse com cinco anos agora. Não como uma criança, mas em relação aos sonhos que ficaram pelo caminho. Começar a edifica-los outra vez. Sei que agora, de uma nova forma, sem apego ao passado. Os tempos e meu tempo são outros. E daqui a vinte e cinco anos eu veria no que tudo se tornou sem ignorar e aproveitando o processo. 


Sei que não devo me absorver tanto... o mal tem pressa, não posso esquecer disso. Cresceremos juntos até a separação definitiva. Esse post será só um lembrete dessa reconquista, mas ao menor sinal de apego abortarei a jornada. Não será uma missão secundária, não acredito nesse tipo de coisa em relação à vida. 
Que comece a contagem: cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco...