terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Perguntas ao homem livre (Revisitado)

 


Homem livre, onde está você?
Na liberdade de 7 às 17
Ou livre no peso leve
De não haver horários?

Homem livre, que livros você lê?
Eles falam de pores-do-sol
De um mundo melhor
Você os sabe ler?

Homem livre, qual foi o seu sacrifício? 
O que ele custou a você?
Como está o mundo agora?
Você gosta do que vê?

Homem livre, livre-se de ver a si mesmo
Buscando grades para montar prisão
Como os tiranos
Como os homens presos desse mundo
Que pensam que são homens livres


sábado, 31 de dezembro de 2022

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Da sobriedade para deixar o mundo girar só

 

(Imagem: daqui) 

Parecia que esse novembro iria terminar em paz, como há certo tempo não viamos um mês terminar. Os vencidos e os vencedores não se enfrentavam mais, uma nevoa pacifica pairava por todo o ambiente, ou haviamos interpretado errado? Não, realmente viamos sorrisos pelos corredores. Algumas indiretas, não nego, essas nunca cessarão, mas tudo estava mais leve e até sentavamos juntos pelo fim da tarde. 

Todo aquele processo de anular os outros, de classifircar, à lá Guestapo, as pessoas que não pensavam em conformidade com certos pensamentos e que não deveriam ser tratadas mais como pessoas, ou coisa parecida, deu uma leve pontada como uma dor de dente que ficou o dia inteiro sem se manifestar aparecendo dizendo: ainda estou aqui! 

Falavamos de qualquer coisa e riamos alheios ao tempo, até você me perguntar se tomaria mais alguma dose da nova bebida que você tanto amava. Com o espirito envolto pelo clima da confraternização disse que não, pois já estava com o copo cheio. E você me falou que era preciso, pois o clima já estava mudando lá fora. 

Mas depois de ter vivido todo o processo e os eventos de cerca de dois anos para cá, resolvi prestar atenção à contradição, ao invés de focar apenas nas palavras de bondade que duravam o tempo exato de uma vontade contrária se manifestar. Nunca vi um clima tão democrático - falei- que fecha caminhos e aprisiona quem só queria respirar, mas escancara portas e janelas quando precisa que essas mesmas pessoas presas apertem botões para que a roda do poder continue a girar a favor de quem tem as chaves da prisão.

Já sabia que isso seria o bastante. Olhares diziam que deveria ter ficado calado. E antes de poder questionar se ignorar isso não seria aceitar que estavam nos chamando de burros com o nosso consentimento, uma voz doce - nos ultimos anos as palavras mais violentas vem de lábios e vozes doces - falou sobre a minha condição naquele local e em como poucas palavras poderiam tirar tudo aquilo de mim. 

Seu copo pode estar cheio, mas nele caberão quantas goles dessa bebida forem necessários - a doce voz. Não é escolha só sua - ela terminou convincente trazendo os olhares de todos em minha direção. 
Antes de me levantar e ir embora deixando o copo cheio na mesa olhei para o céu para ver se a chuva que molhou nossa cidade hoje a tarde já havia passado. Sim é minha escolha - sorri. Sempre foi e sempre será. 

Quase tudo, todos os dias, varia, mas parece que algo mudou no espirito humano para uma coisa não tão boa e veio para ficar. Já estava de costas na calcada quando ouvi um "vamos ver" ecoando como quando um soldado está cumprindo um dever redigido em mesas estranhas por mãos que nem sabem ou se importam com a existência de quem cumprirá as ordens. 

Esperava o retorno desse comportamento tão hostil, como uma dor de dente, lá para o ano que vem. Junto com o canto dos vencedores. Sinceramente não tinha esperanças de que a trégua duraria tanto. Coisas e pessoas para anular e serem anuladas. Eu não quero mais uma dose do sentimento que embriagou a humanidade nesses últimos anos. Ele sempre se veste de algo novo.

Parece que a derrota não basta. Mas decidi que não será mais tempo de ser feliz às escondidas nem de permitir que transformem em cacos outras existências. É tempo de voltar ao front. Sóbrio dessa vez. Nem mais um gole! A vida é comoum jogo de "Verdade ou Consequência" sem saber, às vezes, que essas duas coisas nunca andarão separadas um só segundo. 

domingo, 30 de outubro de 2022

Cinco a vinte e cinco

(imagem: daqui)


Tive uma ideia besta essa madrugada de começar a vida como se estivesse com cinco anos agora. Não como uma criança, mas em relação aos sonhos que ficaram pelo caminho. Começar a edifica-los outra vez. Sei que agora, de uma nova forma, sem apego ao passado. Os tempos e meu tempo são outros. E daqui a vinte e cinco anos eu veria no que tudo se tornou sem ignorar e aproveitando o processo. 


Sei que não devo me absorver tanto... o mal tem pressa, não posso esquecer disso. Cresceremos juntos até a separação definitiva. Esse post será só um lembrete dessa reconquista, mas ao menor sinal de apego abortarei a jornada. Não será uma missão secundária, não acredito nesse tipo de coisa em relação à vida. 
Que comece a contagem: cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco...


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Atento

(imagem: pexels-skitterphoto-447440)


Deixe um legado para a próxima geração. Não alimente o ódio praticado pelos que querem consertar o mundo. Não revide. Não cultive o medo. Parece um paradoxo que isso possa assustar no início. Mas é normal e como um outro nome de verdade para a liberdade.

Não duvide. O bem se alicerça nas certezas, não na mão ou contra mão. O bem é um caminho vivo. Abandone os caminhos que os que querem consertar o mundo estão aplainando. Não ofenda, se afaste. 

Um pouco de distância te faz enxergar melhor do que você deve se aproximar. Nada te faltará se você perder o medo. Eles não estão preparados para alguém assim. Mas a Vida desde o início anseia por esse despertar e já deixou tudo pronto. Você enxergará de forma clara depois disso. 

Somente levantando os olhos a escuridão vai embora. A escuridão tem medo de um coração atento, pois os corações atentos são os únicos capazes de acender a luz ao redor. 
Somente levantando os olhos a escuridão vai embora. Tenho certeza que ela irá!


quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Coisas para não falar numa entevista de emprego

(imagem: daqui)


Sempre que chego em casa e fico com as pernas pra cima deitado no tapete percebo que é fácil pensar melhor com a casa arrumada, com os cabelos e corpo lavados. Os pensamentos ficam como a praia quando o mar a toca num dia ensolarado. Mas isso nunca dura por si só. É preciso uma certa força e manutenção de estado. Uma luta contra parte de nossa própria natureza. 

Às vezes não acredito na humanidade. Às vezes não tenho fé alguma nela. Não é que eu seja desconfiado com todas as pessoas ou que ache que todo mundo é mau. Apenas sei que não haverá justiça e perfeição se tudo depender de nós. E nem é bem um acidente isso não acontecer, é uma escolha mesmo. E inventamos toda uma parafernalha cientifica, social e religiosa, apenas para descansarmos tranquilos quando o dia acaba. Entendo que não é a ciência, a empatia e espiritulidade verdadeiras, claro. São desculpas bonitas sob essas roupagens, apenas.

Buscamos ser prédios imponentes, quando ser uma cabana já daria para o gasto. Não gosto da bondade feita pelas mesmas mãos que semeiam o contrário de um ângulo que quase ninguém possa ver, chamando a isso de progresso. Soa claramente como uma propaganda, um negócio. Talvez o mais certo a fazer seja falir nossa justiça própria a cada dia, até que algo de verdade possa aparecer. Como experiências edificantes que valem a pena até para se colocar num curriculo. Como as almas que buscamos todo o dia depois de adultos para estarem ao nosso lado, na hora que toca para o recreio.


domingo, 31 de julho de 2022

Breve manual para um espírito livre

(imagem: daqui)


Ame o amor, odeie o ódio.
Ame a quem ama o amor e a quem ama o ódio.
Se afaste dos últimos.  
Questione quem te manda sempre questionar e observe as respostas não ditas.
Respeite que cada um tem sua visão da verdade.
Saiba que vários ângulos de um objeto não torna esse objeto relativo em si.
Nossas visões sozinhas são ilusões. 
Deixe ir ao invés de prender ou destruir.
O mundo é grande e cada coração, maior ainda. 
Nada "é pequeno demais para nós dois."