domingo, 30 de junho de 2024

Obrigado!

 

(imagem: daqui)

Você me deu o maior presente que um homem com a cabeça no lugar poderia desejar. E eu ganhei isso antes de estar completamente ajustado para receber esse dom. Durante sua passagem por aqui não pude agradecer à altura, assim como hoje ainda não o poderia fazer. Pessoas como você são gigantes na Terra. São pessoas para as quais o planeta foi fundado. Edificadores da humanidade. 

O seu legado me constrange ao perceber o quanto estou longe de sua perfeita imperfeição. Aquele tipo de imperfeição que é aceito por Deus, quando Ele olha para nós com a Sua graça. E mesmo depois, quando as lagrimas secaram e eu fico me sentindo perdido e deslocado, consigo sentir essa gratidão por você ter existido e vivido ao nosso lado. 

Me perdoe por não ser capaz de agradecer à altura, e por não ser capaz de fazer isso ainda. Mas quando nos reencontrarmos quero mostrar o meu presente a você. O nosso presente a você. Ela terá o seu nome e seremos gratos pelo resto da vida. Obrigado por sua grandeza! Obrigado por ser uma edificadora dos caminhos que a humanidade às vezes nem lembra que está pisando, mas que não seria nada sem ele. 

Até breve!


sexta-feira, 31 de maio de 2024

O bom combate

(Imagem: daqui)

Como é feliz aquele que sabe que o bem e a verdade não são convenções meramente humanas, não são pertencentes a uma época,  moldadas por quem ocupa o poder momentâneo ou por quem faz mais barulho ou ameaças. 

Essas pessoas alicercaram a humanidade. Elas libertaram pessoas e trilharam os caminhos da liberdade, pois sabiam que suas responsabilidades também eram as chaves de suas próprias correntes. Nenhum movimento ou poder pode fazer, querer ou mover a liberdade por você. Não tenha medo de não se deixar pertencer.

A sua verdade é a mentira universal. Apenas os que "tem a coragem de não serem atuais", de não pertencerem a grupos que possam se ofender com uma verdade que ri do relativismo covarde cultivado em corações, de não ter receio de perder os seus que amam a escravidão, podem iluminar a terra.

Não tenha medo de não acreditar nos heróis atuais que movimentam nações. A verdade para este tempo é que todos eles tem pés de barro e, depois da queda, não se levantarão jamais. 


terça-feira, 30 de abril de 2024

Uma ponte para outro lugar

 

(Imagem:  daqui)

Com nome e endereço em mãos, me vesti para a vingança. Tudo ao redor corria como um rio que ignora. Ignora o que há no peito, na pele e na arma apontada para o vazio. Os últimos dias foram uma repetição do que a mente, como defesa, esqueceu e esperou a vida adulta para revelar de forma clara, a ponto de não trazer às lagrimas o que eu achava que conhecia de minha própria vida. E agora outra pessoa passa de forma mais brutal pelas mãos de quem merece a morte. 

Nem todos passam suas iniciações sem abusos e com a proteção da vida. Às vezes nossa cabeça nos protege ocultando os absurdos, mesmo que nem sempre poupe os comportamentos provindos disto. Eu queria estar em todos os lugares para fazer vingança a você. Para que não acabe como eu, sem saber dos nomes e endereços das pessoas que não merecem viver. Das pessoas que tratam gente como você igual a nada e ocupam cargos e posições de protetores da vida. 

Há uma voz do meu lado tentando me convencer que a vingança não é minha, e do outro uma 357 que brilha com a luz de mil sóis me dando a certeza que ficarei cego da próxima vez que olhar para os argumentos inscritos nela. Eu só queria estar em todos os lugares ao mesmo tempo para não ter te ignorado. Para que não se levantassem os monstros que ocuparam o caminho dos que prometeram te proteger e não fizeram nada. 


domingo, 31 de março de 2024

"Walking Alive"

(imagem: daqui)

Hoje caminho vivo por ruas e calçadas, sem precisar vender minha liberdade por aceitação. Sem precisar vende-la por mais um fôlego de vida, muitas vezes tirado da vida de alguém, nos intervalos em que o amor é conveniente. Na pausa em que o atual ódio, às vezes, não convence. Nos mesmos espaços em que caminham os punhos cerrados e as facas nas mãos. 

Hoje caminho invisível por eles, pois deixei de vibrar na mesma frequência, na oscilação quântica dos que chamam à guerra cantando por paz e amor. Dos que não sabem distinguir entre uma mão que acaricia e uma granada com sua explosão. 

Pensava que caminhava alheio a isso, mas não. Agora consigo ver tudo sem ter o coração afetado. E, como o que não se entende não se pode ver, não sou mais visto. Livre por ruas e calçadas! Hoje é esse o caminho. Uma grande descoberta. Um super poder.


quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

O sol sobre a pele

 

(Imagem: Acervo pessoal)

Hoje saí para filmar e fotografar a cidade. Deu na telha. Havia muito tempo que não fazia isso. Tinha duas horas para o banho, almoço e retorno ao expediente. O almoço ficou para o outro dia. Às horas que me caíram permitiram ver um fluxo após o rush que, tinha esquecido, me causa um certo conforto. O fluxo após os jovens e adultos já estarem em seus trabalhos e estudos. Apenas pessoas perdidas como eu no caminho. Os ônibus vazios. O sol sobre as nossas peles. É como estar na sala de casa.

Eu mirava para todos os lugares, pois queria ter aqueles pedaços dos locais em que o tempo passou pela cidade e fazia as pessoas alheias a mim parecerem vivas. Os outros estavam sustentando o mundo enquanto nós vagavamos naquela parte do tempo na cidade. A multidão no calçadão, o asfalto ensolarado e o rio brilhando quente, são a maior poesia que uma pessoa que acabou de sair de parte da lida diária poderia ter antes de chegar em casa. 

Alguns olhares insinuavam loucura ou falta de algo importante para fazer, mas eram julgamentos de ilusão. Ao meio dia, as noticias importantes do telejornal falavam em guerra nuclear, aquecimento global e destruição do planeta. O rio à minha frente me perguntava de forma retórica o que era que eu tinha a ver com aquilo tudo enquanto ele fazia pose para a lente. As baratas sobreviverão a tudo isso. Haverá vida na terra. E dela a humanidade se levantará outra vez. Não é isso que ensinam nas escolas? 

Hoje eu saí, filmei e fotografei a cidade num dia que não teremos igual pelos próximos breves anos, e ela estava linda. No fundo ela também sabe que as coisas importantes da vida não passam no jornal. 


quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Outro adeus

(Imagem de Myriams-Fotos por Pixabay)


O tempo corre sempre alheio à nossa vontade. O amor e a violência também. Tudo o que não podemos controlar anestesia-nos da forma brutal que certas despedidas se vestem.
Chegamos ao último dia do mês, e os que ficaram em outras estações não conseguem ouvir o nosso adeus daqui.
Todo dia é dia de encontrar e dia de partir.

Ao céu, à liberdade, aos outros, à vida, ao infinito e à sinceridade que nos esbarramos. Adeus! que tenhamos sido agraciados!

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Esquecimento

 

(Imagem: daqui)

Hoje, esquecer as coisas não é sinal de bondade. Agora, as cenas de seu abandono pesam em meu coração. Você no meio da rua, enquanto todos iam embora. Foi a primeira vez na vida que eu não quis ir para casa. Não sem você.
Não é hora de esquecer para que a bondade transpareça, hoje ela mora num sol de meio dia impossível de ignorar. E as pessoas machucam tanto as outras por motivos incontáveis. Há sempre um bom motivo para machucar alguém. Deve haver um lugar para pessoas boas no inferno. Eu sei que tem.

Você sempre volta para os que te abandonam. Os outros não entendem, mas eu sim. Eu sei o que é não ter para onde ir. Sei o significado real do "tanto faz" quando a escolha é sangrar e chorar ou sangrar e chorar, não necessariamente nessa ordem. Quando o sangue machuca, o choro acode. Sangue e choro nunca mentem. Por que as pessoas não veem? Esquecer não é sinal de bondade. Esquecer é ser cumplice de tudo isso. Cumplice do império que se ergueu na força de nossas palavras ao deixarmos para lá. O silêncio é um alicerce de concreto para construir o bem ou o mal. Não era tempo de calar. Não é. 

Tudo pode se mover. Tudo podemos derrubar. Se você pudesse ver o que vi poderia confiar em mim. Se seus olhos se erguessem por um tempo, a luz do céu e o branco das nuvens penetrariam o seu coração. Ninguém aqui na terra é nosso dono. Nós é que damos as correntes que nos prendem.
Se você levantar a cabeça vai enxergar que até duros alicerces tremem e tombam quando voltamos a enxergar que sempre fomos livres.

O silêncio está ocultando tudo isso de você. Depois que aprendemos a ouvir a vida, as respostas sempre iluminam tudo. Lembre-se.