domingo, 14 de março de 2021
A cidade sob o céu - II Movimento
domingo, 7 de março de 2021
A cidade sob o céu - I Movimento
Cirrus ou Calçadas e jardins
Vias em tons escuros, em caminhos que atravessamos
Vias invisíveis, fios de cabelo flutuando
Ruídos soando em lindas canções
Projéteis procurando abrigo
Num coração perdido
Paraísos e abismos
Pores do sol esquecidos
Firmamento derramado
E câmbio flutuando
Pra partir daqui tem que lutar
Há um rumo certo em outra direção
Na contramão das cópias de cópias
E dos homens anarquistas
E dos homens em Mercedes
E de todo o ódio da TV
E do "Ser ou não ser?"
Que agora é a razão
Um mergulho na multidão
Atravessamos as barreiras invisíveis
Na vida in flutuando
Que a chuva lave a cidade que eu amo
Que a chuva leve a cidade que eu amo
Que a chuva leve e lave o tanto quanto
Eu odeio a cidade que eu amo
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Pausa para os comerciais
Nossas vidas não cabem ali, não.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Como sair do labirinto (Texto encontrado!)
Decidimos por uma tragédia e depois por um erro. O melhor dos erros, no caso. Não trataremos disso agora, erros são erros, mesmo que cada um ame os seus.
Mas eu não vim aqui para ficar, por isso a pressa. Daqui do fim do mundo, tudo é espantosamente fugaz. veja as pessoas que são uma revolução, elas buscam pares que são seus opostos e assim a dança nunca tem fim. Essa mesma dança me deixou tonto por muitos anos. Eu sei o que acontece no olho do furacão. O ódio cega e tudo vira o nome que você escolheu dar - Ladeira abaixo, beco sem saída.
domingo, 27 de dezembro de 2020
Retratos
Mais uma ceia. Três gerações. Algumas ausências vencidas pela tecnologia. Mesa cheia e corações também. Conversas até a madrugada. Despedidas, sorrisos, luar e estrelas. Esquecemos das fotografias, dos papéis de memórias que olharíamos no futuro para falar deste dia. Não faz mal, papéis se perdem, queimam ou molham.
No intimo sabemos que o que passamos há poucos dias não caberia em nenhum retrato. Nossos rostos e almas livres não se lembraram dos detalhes que a felicidade ocultou. Os anjos no céu registraram e em breve teremos isso para sempre.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Por favor, não abaixe o volume!
Não há motivos para se envergonhar
Também choro por pretéritos mais-que-perfeitos
E em presentes do indicativo
O tempo conjuga bem todas as lágrimas
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Retalhos de fins de tarde
"Olá! Tem alguém aí?" - Ela fala abrindo a porta, sorrindo. Eu sempre me escondo na cozinha esperando ela passar direto para surpreende-la. Ela sabe que não sou tão criativo em esconderijos quanto sou em fugas, mas a reação é a mesma enquanto o vento inunda tudo por causa da porta aberta do apartamento. Então sempre sorrimos e largamos as coisas pelo chão, as coisas que eram importantes lá fora até o exato momento em que passamos por aquela porta. À tarde o frescor é tão legal. Eu sei que está quente lá fora. Todo mundo sabe. Mas nada disso consegue nos alcançar, a não ser de forma subliminar.
Eu tinha um grande herói nos tempos de faculdade. Era o Dilbert. É, esse mesmo das tirinhas. Meus colegas diziam ser um mal sinal e alguns professores perguntavam o que eu estava fazendo ali quando sabiam. Mas sempre pensei que o Superman teria sido mais legal se, quando botasse os óculos, se transformasse nele. Seria uma ótima maneira de se salvar depois de salvar o mundo. Mas heróis são estranhos. O Dilbert não era estranho. Era mais lógico que a matemática aplicada nas tardes em sala de aula. Talvez fosse só um lugar errado e eu nunca assumirei.
Essa semana "reencontrei" dois grandes amigos e lembramos de nossas vidas juntos, nossas tardes juntos. Enquanto a ligação e as mensagens de texto eram trocadas, eu tive a certeza de que, em algum lugar do universo, nossas lembranças são coisa sólida acontecendo novamente. Há coisas tão felizes dentro de nós que quando a voz do outro lado nos faz recordar levanta até uma dor. E é bom, mas também tão melancólico, pois fico pensando quem sustentará tudo isso quando já tivermos passado. Mas também é como se, profundamente, houvesse uma certeza de que o universo está aí por causa de nós e de que não haverá esquecimento.
Nossas lembranças mantém universos inteiros e não quero aceitar o que acontecerá com eles quando tivermos partido. Toda a vida é passado e futuro, mas o presente é infinito. Apesar de ser o único lugar em que estamos, nenhum ser humano cabe no presente - Estou convicto disto desde o fim de tarde de hoje - É por isso que sustentamos universos dentro de nós.







