sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Atento

(imagem: pexels-skitterphoto-447440)


Deixe um legado para a próxima geração. Não alimente o ódio praticado pelos que querem consertar o mundo. Não revide. Não cultive o medo. Parece um paradoxo que isso possa assustar no início. Mas é normal e como um outro nome de verdade para a liberdade.

Não duvide. O bem se alicerça nas certezas, não na mão ou contra mão. O bem é um caminho vivo. Abandone os caminhos que os que querem consertar o mundo estão aplainando. Não ofenda, se afaste. 

Um pouco de distância te faz enxergar melhor do que você deve se aproximar. Nada te faltará se você perder o medo. Eles não estão preparados para alguém assim. Mas a Vida desde o início anseia por esse despertar e já deixou tudo pronto. Você enxergará de forma clara depois disso. 

Somente levantando os olhos a escuridão vai embora. A escuridão tem medo de um coração atento, pois os corações atentos são os únicos capazes de acender a luz ao redor. 
Somente levantando os olhos a escuridão vai embora. Tenho certeza que ela irá!


quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Coisas para não falar numa entevista de emprego

(imagem: daqui)


Sempre que chego em casa e fico com as pernas pra cima deitado no tapete percebo que é fácil pensar melhor com a casa arrumada, com os cabelos e corpo lavados. Os pensamentos ficam como a praia quando o mar a toca num dia ensolarado. Mas isso nunca dura por si só. É preciso uma certa força e manutenção de estado. Uma luta contra parte de nossa própria natureza. 

Às vezes não acredito na humanidade. Às vezes não tenho fé alguma nela. Não é que eu seja desconfiado com todas as pessoas ou que ache que todo mundo é mau. Apenas sei que não haverá justiça e perfeição se tudo depender de nós. E nem é bem um acidente isso não acontecer, é uma escolha mesmo. E inventamos toda uma parafernalha cientifica, social e religiosa, apenas para descansarmos tranquilos quando o dia acaba. Entendo que não é a ciência, a empatia e espiritulidade verdadeiras, claro. São desculpas bonitas sob essas roupagens, apenas.

Buscamos ser prédios imponentes, quando ser uma cabana já daria para o gasto. Não gosto da bondade feita pelas mesmas mãos que semeiam o contrário de um ângulo que quase ninguém possa ver, chamando a isso de progresso. Soa claramente como uma propaganda, um negócio. Talvez o mais certo a fazer seja falir nossa justiça própria a cada dia, até que algo de verdade possa aparecer. Como experiências edificantes que valem a pena até para se colocar num curriculo. Como as almas que buscamos todo o dia depois de adultos para estarem ao nosso lado, na hora que toca para o recreio.


domingo, 31 de julho de 2022

Breve manual para um espírito livre

(imagem: daqui)


Ame o amor, odeie o ódio.
Ame a quem ama o amor e a quem ama o ódio.
Se afaste dos últimos.  
Questione quem te manda sempre questionar e observe as respostas não ditas.
Respeite que cada um tem sua visão da verdade.
Saiba que vários ângulos de um objeto não torna esse objeto relativo em si.
Nossas visões sozinhas são ilusões. 
Deixe ir ao invés de prender ou destruir.
O mundo é grande e cada coração, maior ainda. 
Nada "é pequeno demais para nós dois."

quinta-feira, 30 de junho de 2022

O homem mais rico do mundo

(Imagem: daqui)

Depois de mais uma semana difícil, onde a ciência de atitudes tomadas na contra mão da maioria me relegou um singelo espaço de desprezo no trabalho, juntei os novos insultos e desprezo aos antigos proferidos por bocas, mãos e ombros outrora tão amigos. Eles pensaram que me magoariam, mas não faziam ideia de meus abandonos e fugas passadas e em como um escudo forte e preciso é criado a cada situação em que a liberdade nos puxa para a vida ao seguirmos um caminho contrário às convenções criadas para esmagarmos ao outro alegando vender paz, liberdade e amor. 

Abri a porta de casa com todo aquele novo velho apetrecho de palavras horríveis saídas de alguns lábios amáveis embebidos no amor da modernidade. Um beijo. Outra porta. A descarga. Liberdade mais uma vez. O exercício de levar desaforo pra casa é libertador. Você não precisa sair espalhando que faz isso por ai. Apenas se liberta e fica grato por todo o presente que vem depois. Onde todas aquelas visões de mundo repousam em seu devido lugar, ao doce e suave som de uma descarga acionada. 

Quando caminho pelas ruas e vejo o céu azul ou a chuva batendo em minha pele, enxergo a cegueira de lutar pelo que já é nosso desde as eras eternas, como um presente, mas não percebemos por nos dividirmos a cada dia em mais e mais fatias. Como um queijo cheio de buracos é fatiado para facilitar ser devorado por bocas e dentes que não se importam. Escolher ser uma pedra no meio da comida pode não ser agradável, mas é libertador. 

É nesse momento que percebo que emprestaria dinheiro ao homem mais rico do mundo e ainda me sobraria para comprar tudo o que ele tem. Muitos desarvoram a existência tentando conquistar a dádiva que já nos foi dada antes de nascermos, mas tentamos tomar posse dela ao invés de apenas abraça-la e deixar que ela abrace todo o resto. Os que também fazem parte de quem nós somos, mas que perdemos de vistas por conta das fatias que nos tornamos. 

Também me sinto tentado a reter esse presente só para mim, não posso negar. Mas entendo o que teria que fazer para que tantas mãos livres alcançassem o que é de todos se dividirmos entre uns poucos. Deixar ir depois de um abraço também é uma maneira verdadeira de pertencer e ser pertencido. O céu e a terra são meus se eu aceitar que me foram dados como foram dados a outros. Eu emprestaria essa minha riqueza ao homem mais rico do mundo. 

Às vezes, quando acordo, sou tentado a provar que também sei buscar o que se busca hoje em dia. A soberba, o amor raivoso, a mão única de soluções imperfeitas, o revide. Mas cantos de fora da janela me lembram que há uma dádiva maior a ser enxergada e mantida e um milhão de coisas a serem evitadas. Não há dinheiro que pague uma boa descarga, é o que os cantos lá fora me dizem. 

A canção dos pássaros fala: "todas as coisas me são licitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são licitas, mas não me deixarei dominar por nenhuma delas."
É depois disso que a liberdade vem tomar café comigo assim que desço da cama.


terça-feira, 31 de maio de 2022

Das tardes em que voávamos juntos


(imagem: daqui)

Lembrei-me hoje cedo de um tempo bom
Quando acordávamos às duas da tarde, e nossas mães mal falavam conosco por isso
Gastávamos nossas energias perambulando pela cidade, encontrando outros iguais
E testando a memória de nossos professores em seus boletins 
Você percebia que eles nunca conseguiam explicar todas as balas perdidas?
Elas nunca atingiam o Congresso Nacional.

Você já foi livre para pensar tudo o que quiser?
Esse pensamento de não haver liberdade está tão preso à convicções!
Juventude é só uma vaidade e cobiça para os mais velhos
Juventude é só uma vaidade dos que não querem ser livres.

sábado, 30 de abril de 2022

Da janela do quarto andar (Quase dá para voar)



(Imagem: daqui)


Uma rua vazia  de toda a luz do sol
E as pessoas trancadas assistindo TV

Vejo correntes
Não vou mais passar por ali
Vejo correntes
Não há um principio em si
Vejo correntes
Onde tudo pouco importa

O fogo queimando o que era tão belo
E as pessoas sentadas assistindo a cena

Vejo cometas
E vão se chocar contra mim
Vejo cometas
Da janela do quarto andar
Vejo cometas
E a gente pensava que nunca teria fim

Papeis de cartas vazios e toda a luz do mundo
Brilha em quem a tudo ama e só quer ser feliz


quinta-feira, 31 de março de 2022

sem título

(imagem: daqui)

Deixe-me levar você para casa hoje, assim como você me levava no tempo em que eu me sentia tão feliz e nas outras vezes em que me sentia tão triste no mesmo dia. A estrada é bonita quando se percebe o tanto de sofrimento que podemos suportar sem quebrar. 

Gosto de ver as luzes de noite e as sombras de dia. O vento que nos acaricia não te dá uma sensação familiar de pertencimento? Ele combina com o seu perfume. Gosto dessas ruas também, da maneira antiga como elas foram asfaltadas e em como permanecem sem rachar. 

Vamos ficar na calçada por um tempo, pois a nossa casa transcende para certos espaços na rua em que moramos. E tudo é nosso lar agora que nem todas as coisas irão nos quebrar.
Ao portão, enquanto janelas observam, não há palavras de despedida. O amanhã ouve-te dizer "Eu quero voltar com você!"