sexta-feira, 30 de setembro de 2022
Atento
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Coisas para não falar numa entevista de emprego
Sempre que chego em casa e fico com as pernas pra cima deitado no tapete percebo que é fácil pensar melhor com a casa arrumada, com os cabelos e corpo lavados. Os pensamentos ficam como a praia quando o mar a toca num dia ensolarado. Mas isso nunca dura por si só. É preciso uma certa força e manutenção de estado. Uma luta contra parte de nossa própria natureza.
Às vezes não acredito na humanidade. Às vezes não tenho fé alguma nela. Não é que eu seja desconfiado com todas as pessoas ou que ache que todo mundo é mau. Apenas sei que não haverá justiça e perfeição se tudo depender de nós. E nem é bem um acidente isso não acontecer, é uma escolha mesmo. E inventamos toda uma parafernalha cientifica, social e religiosa, apenas para descansarmos tranquilos quando o dia acaba. Entendo que não é a ciência, a empatia e espiritulidade verdadeiras, claro. São desculpas bonitas sob essas roupagens, apenas.
Buscamos ser prédios imponentes, quando ser uma cabana já daria para o gasto. Não gosto da bondade feita pelas mesmas mãos que semeiam o contrário de um ângulo que quase ninguém possa ver, chamando a isso de progresso. Soa claramente como uma propaganda, um negócio. Talvez o mais certo a fazer seja falir nossa justiça própria a cada dia, até que algo de verdade possa aparecer. Como experiências edificantes que valem a pena até para se colocar num curriculo. Como as almas que buscamos todo o dia depois de adultos para estarem ao nosso lado, na hora que toca para o recreio.
domingo, 31 de julho de 2022
Breve manual para um espírito livre
Ame a quem ama o amor e a quem ama o ódio.
Se afaste dos últimos.
Questione quem te manda sempre questionar e observe as respostas não ditas.
quinta-feira, 30 de junho de 2022
O homem mais rico do mundo
Abri a porta de casa com todo aquele novo velho apetrecho de palavras horríveis saídas de alguns lábios amáveis embebidos no amor da modernidade. Um beijo. Outra porta. A descarga. Liberdade mais uma vez. O exercício de levar desaforo pra casa é libertador. Você não precisa sair espalhando que faz isso por ai. Apenas se liberta e fica grato por todo o presente que vem depois. Onde todas aquelas visões de mundo repousam em seu devido lugar, ao doce e suave som de uma descarga acionada.
Quando caminho pelas ruas e vejo o céu azul ou a chuva batendo em minha pele, enxergo a cegueira de lutar pelo que já é nosso desde as eras eternas, como um presente, mas não percebemos por nos dividirmos a cada dia em mais e mais fatias. Como um queijo cheio de buracos é fatiado para facilitar ser devorado por bocas e dentes que não se importam. Escolher ser uma pedra no meio da comida pode não ser agradável, mas é libertador.
Às vezes, quando acordo, sou tentado a provar que também sei buscar o que se busca hoje em dia. A soberba, o amor raivoso, a mão única de soluções imperfeitas, o revide. Mas cantos de fora da janela me lembram que há uma dádiva maior a ser enxergada e mantida e um milhão de coisas a serem evitadas. Não há dinheiro que pague uma boa descarga, é o que os cantos lá fora me dizem.
É depois disso que a liberdade vem tomar café comigo assim que desço da cama.
terça-feira, 31 de maio de 2022
Das tardes em que voávamos juntos
Você já foi livre para pensar tudo o que quiser?
sábado, 30 de abril de 2022
Da janela do quarto andar (Quase dá para voar)
Uma rua vazia de toda a luz do sol
E as pessoas trancadas assistindo TV
Vejo correntes
Não vou mais passar por ali
Vejo correntes
Não há um principio em si
Vejo correntes
Onde tudo pouco importa
O fogo queimando o que era tão belo
E as pessoas sentadas assistindo a cena
Vejo cometas
E vão se chocar contra mim
Vejo cometas
Da janela do quarto andar
Vejo cometas
E a gente pensava que nunca teria fim
Papeis de cartas vazios e toda a luz do mundo
Brilha em quem a tudo ama e só quer ser feliz
quinta-feira, 31 de março de 2022
sem título
(imagem: daqui)
Deixe-me levar você para casa hoje, assim como você me levava no tempo em que eu me sentia tão feliz e nas outras vezes em que me sentia tão triste no mesmo dia. A estrada é bonita quando se percebe o tanto de sofrimento que podemos suportar sem quebrar.
Gosto de ver as luzes de noite e as sombras de dia. O vento que nos acaricia não te dá uma sensação familiar de pertencimento? Ele combina com o seu perfume. Gosto dessas ruas também, da maneira antiga como elas foram asfaltadas e em como permanecem sem rachar.
Vamos ficar na calçada por um tempo, pois a nossa casa transcende para certos espaços na rua em que moramos. E tudo é nosso lar agora que nem todas as coisas irão nos quebrar.
Ao portão, enquanto janelas observam, não há palavras de despedida. O amanhã ouve-te dizer "Eu quero voltar com você!"







