Você já foi livre para pensar tudo o que quiser?
terça-feira, 31 de maio de 2022
Das tardes em que voávamos juntos
Você já foi livre para pensar tudo o que quiser?
sábado, 30 de abril de 2022
Da janela do quarto andar (Quase dá para voar)
Uma rua vazia de toda a luz do sol
E as pessoas trancadas assistindo TV
Vejo correntes
Não vou mais passar por ali
Vejo correntes
Não há um principio em si
Vejo correntes
Onde tudo pouco importa
O fogo queimando o que era tão belo
E as pessoas sentadas assistindo a cena
Vejo cometas
E vão se chocar contra mim
Vejo cometas
Da janela do quarto andar
Vejo cometas
E a gente pensava que nunca teria fim
Papeis de cartas vazios e toda a luz do mundo
Brilha em quem a tudo ama e só quer ser feliz
quinta-feira, 31 de março de 2022
sem título
(imagem: daqui)
Deixe-me levar você para casa hoje, assim como você me levava no tempo em que eu me sentia tão feliz e nas outras vezes em que me sentia tão triste no mesmo dia. A estrada é bonita quando se percebe o tanto de sofrimento que podemos suportar sem quebrar.
Gosto de ver as luzes de noite e as sombras de dia. O vento que nos acaricia não te dá uma sensação familiar de pertencimento? Ele combina com o seu perfume. Gosto dessas ruas também, da maneira antiga como elas foram asfaltadas e em como permanecem sem rachar.
Vamos ficar na calçada por um tempo, pois a nossa casa transcende para certos espaços na rua em que moramos. E tudo é nosso lar agora que nem todas as coisas irão nos quebrar.
Ao portão, enquanto janelas observam, não há palavras de despedida. O amanhã ouve-te dizer "Eu quero voltar com você!"
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A árvore das boas novas
Depois do ventre do grande peixe, há uma bela praia deserta.
Mas a razão para ter sobrevivido às águas está na cidade.
Onde há um mar de gente que não sabe de sua escuridão.
É lá que o salva vidas irá lançar a corda.
E eles só darão ouvidos a quem um dia se afogou também.
É preciso falar e não se calar.
É preciso estar lá, mas sem pertencer ao lugar.
É preciso ter vindo do ventre do grande peixe.
Que foi despertado para acordar o que dormia em seu sono
Para que assim fossem despertados os que também dormem nos seus.
domingo, 23 de janeiro de 2022
De coisas não ditas
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
As canções de Natal e de Ano Novo
Toda vez que o Natal se aproxima, uma leve melancolia toma conta de Dezembro a partir de sua segunda metade. Ela não me alcança de forma direta, mas abraça algumas pessoas queridas ao redor, me dobrando por um tempo. Fico feliz por esse sentimento estar sendo cada vez mais raro com o passar dos anos. Mas agora há também uma espécie de alívio por poder ser feliz sem culpa depois de ter aceitado a impossibilidade arbitrária nessas datas de não poder estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.
Como filho de pais separados, passava cada fim de ano com uma parte da família. Era tão normal quanto todas as famílias que passam o fim de ano de jeito que elas passam. Só as fotografias que ficavam me devendo mais gente. Eu gosto muito das cores, comidas, das conversas e da noite. Gosto também das luzes. Elas nunca foram amigas de meus olhos, mas de noite algumas são aceitáveis. Ninguém que se importa deveria passar datas como essas sem lembranças de momentos felizes.
Lembro de um Natal onde fiquei de me encontrar com parte de minha família na nova casa de amigos e acabei entrando em uma casa desconhecida por engano. As pessoas dali me receberam e conversaram comigo. Todos que me abraçavam achavam que alguém naquela casa me conhecia e me tratavam bem por respeito à ela, falando de coisas de suas vidas e de como estavam felizes por eu ser amigo dessa pessoa da casa que achavam que tinham me convidado para estar ali e que nunca existiu. Esse é um sentimento que dá segurança ao mundo, sustenta ele até aqui, certamente.
Acho que fiquei ali por tempo suficiente para me atrasar para a minha família, mas também entendi que aquelas pessoas também tinham outras pessoas que não podiam estar especificamente ali naquele dia. E que a felicidade delas naquele momento era uma forma de fazer todos os outros felizes, até os ausentes. Então uma coisa nesse sentimento me mudou para sempre, como quando nas músicas suaves é introduzida uma batida de bumbo a cada tempo no peito. E essa mudança foi a certeza de que, uma coisa é dobrar com um sentimento que você nem sabe o nome, mas suporta por fazer parte de todos, e outra é, daí em diante, sorrir com entendimento, por entender que isso faz parte de todos.
Se você não ficar olhando diretamente para as luzes, vai ver que o fim do ano é como as canções que tornam um momento mais leve enquanto são ouvidas, pois trouxeram um entendimento que só aquele período poderia trazer.
Sei que, mais uma vez, não estarei em mais de um lugar ao mesmo tempo este ano. Só que agora há uma canção leve no peito dizendo que está tudo bem. Que pode-se ser feliz com essa arbitrariedade de nossa incapacidade de onipresença nessas ocasiões.
Lembro que nos anos 90 o ano durava 365 dias, hoje ele passa em uma semana. Seja feliz. Não desperdice isso.
domingo, 21 de novembro de 2021
Motivo aleatório
O último raio de sol que alaranjava o céu inteiro do fim da tarde, o castanho do seus olhos e o amarelo de seus cabelos que ficaram da mesma cor do seu olhar depois que você cresceu. O tom, o cheiro e a forma de nossas vidas naquela escola e de cada um de nós depois de tudo. As brincadeiras, o beijo, o riso. Os desencontros e o choro. Todas essas coisas voltavam à memória pelo motivo mais banal sem dar explicação.
Relembrar que vivemos tudo isso sem nenhuma experiência, como quem dá um triplo mortal sem uma rede para amortecer as quedas, me deixava surpreso em como a vida permite sentimentos tão gigantescos em corações tão pequeninos.
Não entendíamos o sentido, nem aos sete e nem depois dos quatorze. E não havia um ser ao redor que desse bola para o que dizíamos. O que veio depois disso foi o avassalador desejo de reviver o que foi bonito, pela pureza e verdade de que só quem não sabe que pode quebrar o pescoço pela altura que pula consegue realizar.
Havia um tempo em que qualquer motivo aleatório trazia de volta uns braços ao redor, o sorriso e o beijo. Hoje eu me peguei pensando nisso e em como a vida usa nossos cândidos saltos despreocupados, para transformar nas redes a tecer a segurança do amanhã que nem imaginávamos existir em separado.
Todo amor que vivemos, e que um dia nem teve tempo de despedida, serviu para nos provar que o mundo é belo e vale a pena toda vez que a realidade viesse nos bater o contrário.
Nos achamos e desencontramos para que pudéssemos entender o que não deixar ir quando a vida trouxesse o que completasse nossa felicidade. Foi esse o motivo de termos nos ligado. É esse o motivo de sorrimos hoje em separado, não era para ser pra sempre. Estamos gratos pelo que nos foi trazido agora como se fosse a primeira vez. Essa foi a maneira mais bela que a vida arrumou para nos fazer aprender.




