quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Volte pra casa, Isadora!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Carência
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
No front
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Como se fosse ontem
domingo, 31 de julho de 2011
Como um rio de águas claras correndo para um fim
Do portão até as instalações do asilo havia uma distância de uns 200 metros - não sou bom de medir com “golpe de vista”, mas acho que era isso - que isolava qualquer ruído da movimentada avenida e até da percepção de parte do mundo lá fora. Ao me explicar como era que funcionava o sistema de administração e doações parei de dar atenção ao que o professor dizia, pois notei um grupo de senhoras católicas cuidando e lendo para alguns velhinhos e outros grupos de espíritas e evangélicos fazendo a mesma coisa com outros velhinhos.
Quando o professor reparou que estava falando sozinho me pediu que acompanhasse ele. Conheci uma senhora que estava ali há certo tempo - ela era cega - e tinha uma boneca nas mãos, aquela senhora estava imóvel como se estivesse vazia, foi ai que meu professor a chamou pelo nome e tocou nos braços dela. Tudo mudou nela, a senhora agiu como quem desperta de um coma, quando ela sorriu perguntando quem era que a estava tocando, suas rugas marcaram os caminhos de sorrisos de toda uma existência. Há um colégio por trás do asilo e eu podia ouvir os gritos de crianças em plena euforia do intervalo e meu professor me falou depois que deixamos à senhora sorridente - viu? Ela só precisava de atenção e contato. Percebeu como ela ficou depois de receber carinho? O sangue voltou a jorrar no rosto dela. Pensei que ela poderia estar ali ouvindo aqueles gritos da criançada livre do outro lado enquanto segurava sua boneca na mão.
- E essa boneca de quem é? - Perguntei a ela.
- É minha filha. - a senhora respondeu.
- Meu Deus - pensei - onde estariam os filhos de toda aquela gente?
Em outros quartos havia pessoas muito velhas que não conseguiam sair da cama, estavam esperando à hora de descansar. Havia um velho muito alterado, também, que tinha raiva de tudo e todos e numa outra visita outra senhora que andava de lá pra cá, chamou minha irmã no cantinho e falou “minha filha ta vendo esse monte de velho? Eu não sou que nem eles não, meu filho vem me buscar, ele só foi viajar e me deixou aqui por um tempo”. As enfermeiras olhavam pra mim balançando a cabeça enquanto minha irmã perguntava quanto tempo ele a tinha deixado ela ali. “Dois anos, mas ele vai voltar e me levar pra casa”.
Eu não julgo as pessoas, sabe? Eu tenho uma avó, e ela dá muito trabalho quando dá na telha. Às vezes é madeira de dar em doido lidar com ela, e as pessoas não entendem o que está se passando. Eu não julgo nenhum dos filhos de cada senhor e senhora que estão em asilos, até por que os motivos são variados. Mas pra mim, deitar a cabeça de noite num travesseiro e pensar que minha avó ou mãe estão num lugar assim, com cuidados, mas sem afeto, me faria sentir pior do que estar no inferno.
Quando saí de lá ouvindo os gritos das crianças na escola ao fundo e com aqueles velhinhos na cabeça, me deu um pouco de nojo de mim e do espírito humano. Vivemos nossas vidas sem nos importar com quem está ao lado, precisando de nós, de um toque só, um ouvido para ouvir, olhos para olhar, em lugares como esse ter boca não é lá tão importante é preciso dar atenção e carinho. Costumamos descartar as coisas que não servem mais para uso como de costume e descartamos até os seres humanos. Alguns senhores e senhoras que estavam ali precisavam mesmo de cuidados especiais, mas outros estavam simplesmente abandonados, como um peso que impediam outros de “viver”.
Um dia esse mês visite um abrigo ou asilo, há pessoas ali que ficariam muito felizes só de ter alguém para conversar, se não tiver tempo arrume. Pois você - se não tiver doença nem sofrer algum acidente ou for assassinado - vai ficar velho. Olhe para os velhinhos que estão dentro de casa também, às vezes o lar é o próprio asilo sem afeto para eles quando são excluídos do resto da família. Eu tenho uma avó, não escrevi isso pra julgar ninguém, a época dela já passou muita coisa que entendemos e fazemos com facilidade é algo de outro mundo para ela. É preciso paciência.
Um dia nossa existência vai chegar ao fim, será que ficaríamos felizes ao olhar para trás e percebermos que só servimos a nós mesmos no meio de tanta gente - num planeta inteiro?
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O homem que desafiou a si mesmo ou Para além de um texto egoísta
terça-feira, 31 de maio de 2011
O amor é muito mais razão do que parece.
Esquecer de si mesmo em prol de alguém, sem ter a certeza da reciprocidade e não desanimar, simples assim, é o mais perfeito amor. O amor não é só felicidade.
A paixão pode até ser forte como uma pedra, pode ser fogo como um incêndio, mas ao menor sinal de qualquer coisa é sempre instável como uma chama ao vento, como pedras descendo um morro, e então se vai logo quando o sol aquece, como faz o orvalho todas as manhãs.
O amor é muito mais razão do que parece, e por vir mais de dentro do que as outras coisas... Por vir mais de fora do que qualquer universo distante, ele é muito mais perpetuo. O dinheiro e a luta pelo topo corrompem até a alma, mas há um caminho que pode vencer a força; o caminho do amor.
Talvez eu tivesse que ser mais velho (com 100 anos) para alguém acreditar em qualquer palavra dita aqui, mas é óbvio assim.
Por que não nos ensinam sobre o amor nas escolas?




