quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Asleep on a sunbeam"


(imagem: Sonic youth - editada)

Lá pelos 16, 17 anos eu tinha um pensamento repetitivo, quase que como um sonho, era assim: um grupo de amigos, cinco mais ou menos – dava para perceber nitidamente dois garotos e duas garotas, o outro eu não lembro. O que acontecia era que eles estavam num gramado à noite, todos sentados, e tinha uma festa acontecendo numa casa atrás deles. Era uma festa com a turma da escola e do bairro, dessas que, depois que passa, agente torçe para nunca ter acabado, mas eles preferiram sair e ficar por um tempo, os cinco, ali fora.
Um garoto e uma garota que se gostavam trocavam olhares e todos torciam para que eles ficassem juntos. Os dois deram as mãos, ainda sentados, e conversavam olhando nos olhos. Ele sorrindo e com o boné para trás, ela séria e olhando cada palavra com uma das mãos sobre seu jeans apertado.
Os outros três ao vê-los ali saíram correndo de volta para a festa felizes e o garoto e a garota se beijaram. Era noite e eles tinham rostos. Tudo passava tão rápido quanto uma canção leve.
Eram cinco amigos e pensar neles me causava um bem danado naqueles tempos. Hoje recordei esse fato que repetia-se em minha cabeça e me voltou a lembrança de tudo o que era, o cheiro, o som da rua e da festa e os sorrisos. Estava lá e eles não podiam me ver.
De alguma forma foi como se tivesse acontecido.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A força da vida

(imagem: daqui)

Não que eu tenha muita experiencia para falar sobre isso, nem entendoo completamente... Mas toda vez que penso em amor só consigo pensar em Cristo. São considerações pessoais, sobre um sentimento que foi capaz de libertar um planeta inteiro.

É que essa semana só consigo pensar por poesia, e mesmo tendo um blogue especifico para isso resolvi postar no Da Cor Da Sua Paz:
A força da vida

Paixão é um carro a 300 Km/h sem se importar se é ou é contra-mão
Amor é a estrada

Paixão é quando um colorado chora ao ver seu time perder
Amor é quando um gremista dá seu ombro a ele. (e vice-versa)

A paixão pode até destruir o objeto de desejo se não alcançado
O amor alcança tudo mesmo sem tocar

A paixão bate de frente e esperneia, explode obstáculos sem hesitar destruir a si mesma
O amor contorna os muros e as montanhas, se infiltra nos alicerces e permanece cristalino

Paixão não pede pra nascer
Amor também não

Paixão acaba um dia
O amor a tudo ressuscita

A paixão se agarra com toda a força em sua bela ingenuidade para prender o que deseja para si
O amor deixa partir o que sempre estará dentro de si

Paixão se alimenta
Amor é alimento

Paixão dá sua vida por
Amor é a própria vida em

A paixão deitou-se num madeiro de braços abertos
O amor segurou os pregos e o martelo

A paixão alimenta a poesia
O amor à vida
Um apaixonado amante
É alguém poeticamente vivo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Para além de um conto de fadas

(imagem: caminho-de-pincel. tirada de: http://fabiopereira.wordpress.com/2009/10/12/singularidades-do-caminho/)

Era uma vez um planeta que se explodia entre o ódio e o amor, onde as pessoas viviam suas vidas como sempre viverão. Nesse planeta morava uma linda princesinha, ela tinha sonhos e como todo sonho era algo simples e belo. Mas em seu pequeno mundo sonhar coisas simples e belas era muito perigoso, Então todos que tinham essas atitudes eram aprisionadas para fazer com que o mundo não sofresse “perturbações”.

Mas a princesinha insistia com as coisas pequenas da vida por saber que nelas havia grandeza e sangrava toda vez que o príncipe de seu mundo obrigava ela a ter com os sentimentos “mais importantes e maiores”.
Um dia ao sair às compras com suas companheiras ela leu numa embalagem na seção de xampu um desejo que havia dentro do seu coração: “no more tears” – sorriu lindamente. E por fim comprou para si 5 caixas do produto. Quando os sonhos do mundo eram presos e queimados pelo príncipe perverso, a princesinha tomava de sua nova fuga em frascos inteiros.


O Rei observava tudo de coração aflito, porém seu imenso amor achou um meio de tornar a dor em aprendizado e perfeição. Naquele mundo estranho havia um camponês, mais nobre que o grande príncipe e que tinha imenso valor para o coração do Rei.

Um dia a pequena princesa foi até esse camponês debaixo de uma chuva torrencial, ele percebera que ela estava chorando. E não era pelos olhos vermelhos que ele percebeu e nem por seus lábios tremendo. Era porque, para ele, sempre chove desse jeito toda vez que ela chora. Ao olhar a princesa o belo camponês abriu os braços. “Uma princesa nos braços de um camponês” – pensava ela antes de dar meia volta para o castelo. E o camponês a olhava ir até muito longe no horizonte embaçado pela chuva que aumentara de forma colossal: “sempre chove desse jeito toda vez que ela vai embora.”
E em sua solidão o jovem camponês cantava uma canção:

Por que chora assim princesinha?
Mais uma vez busque a verdade
Seu mundo pode ser triste
Mas você pode ser feliz
É só escolher a felicidade.


Ao ouvir a canção que ecoava por todo o reino a princesinha sentia dentro de si como se tudo estivesse dissipado, e mesmo que os sonhos já queimassem alto, e que não houvesse mais nenhum frasco de sua fuga, ela sentia que ao fim do dia haveria uma cura para todo o mal. E foi essa fé que motivou ela a buscar novamente o camponês com alma de rei. “Posso sentir o seu coração?” – ele perguntou.
Ela o olhou com seus olhos castanhos claros que encontraram os olhos castanhos escuros do camponês naquele fim de tarde, e a luz suave fazia parecer que era até o encontro de dois pores-do-sol.

A princesinha daquele mundo estranho não sabia se era seguro, e mesmo não sendo seguro ela falou. Duas palavras, falou. Quando ergueu os olhos pode entender o significado da canção do camponês. A felicidade é o amor dito sem palavras, vivido.

O nobre camponês tirou do bolso um anel brilhante e uma coroa dourada e os deu a princesinha. Ela olhou o gesto com espanto e aceitou trocar as suas jóias pelas jóias do camponês.
Nesse momento a verdade veio à tona, o grande Rei apareceu e revelou que o camponês era, na verdade, seu filho e que o príncipe perverso estava no trono pois havia tomado o reino para si, então só se fazendo camponês o verdadeiro príncipe poderia mostrar seu amor à princesinha para a ter de volta em seus braços.
O Rei fez do nobre homem príncipe de todo o reino e desse dia em diante não mais se ouviu falar no príncipe perverso nem do queimar de sonhos no seio do mundo, tão pouco de chuva dentro dos corações. A princesinha e o nobre príncipe tinham agora um reino de felicidade até perder de vista, para além do horizonte. E foram felizes para sempre.


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Essa é, na verdade, a história da humanidade onde nós somos a frágil princesinha vivendo num mundo caído e Cristo é o príncipe que se fez um de nós para nos resgatar. Você consegue ver Deus e o causador de todo o mal nessa história? E se fechar os olhos poderá ouvir a canção da felicidade? Ela ressoa em cada coração humano, não deixe suas jóias ofuscarem o brilho das jóias do nobre príncipe.
Você faz parte da maior história que esse universo já viu. E tudo porque Ele te amou.


Buscar-Me-eis e Me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração (Jeremias 29:13);

Qual é a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a Minha palavra.(João 8: 43);

Amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos á sua voz, e apegando-te a Ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade. Deuteronômio 30:20.


Se você aceitá-lo, Ele encontrará abrigo em seu coração. Procure a cada dia conhecê-lo melhor. É difícil amar o que não se conhece. A felicidade é para todos, não se engane. E para a vida só há um caminho.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

O mundo ao redor

(Imagem: au delà des villes - honey, olhares.com)

Homens entre labirintos
Vidas com algum sentido
A importância é dada
Ao que se pode apreçar
Fibra-ótica, wi fi, pentabyte
Pessoas passam inadvertidamente rápidas
O tempo passa infinitamente rápido
Rápido é o caminho para o esquecimento
Projéteis procuram com grande precisão
Corações na mesma medida, perdidos
E a vida passa despercebida ao longe
Mas apesar de tudo, ainda linda

Êta humanidade burra meu Deus!

(à Drummond, por ter me ensinado que poesia não se aprende só na escola e que não deve ser forjada sob pena rigida)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Selvagem e faminta

(Foto: Paula A Tirada de: http://nosilenciodosdias.blogs.sapo.pt/)
Onde você mora? O que é preciso para alguém dizer que mora em algum lugar, ou para sentir-se morando em algum lugar? Isso impede o fato de todos nós estarmos só de passagem?
Todo dia, sempre que possível, alongo ao máximo o caminho que faço para o trabalho e faculdade como também o caminho que faço de volta. È como se o que importasse não fosse a finalidade da viagem, mas o processo em si e as coisas que acontecem durante o trajeto. Como se o asfalto de dia e as luzes à noite fossem o que preciso para me sentir à vontade, em casa. Como se o jeito das pessoas que sempre vejo pela primeira e última vez...
Como se o jeito dessas pessoas em meio a tudo o que causa amor e ódio – entre uma estação e outra, entre a fumaça dos carros e o vento que sopra suave na Rua da Frente – me fizesse mais vivo. È como se toda a força esquecida num ser humano viesse à tona para enfrentar o niilismo maldoso da cidade que nos toma e nos absorve só para deixar-nos alheios à própria vida que corre em meio a tudo isso.
O deus da cidade alimenta todo um mecanismo que nos reduz a nada ao tomar-nos para si. E por proporcionar prazer e conforto, em troca permitimos nossa própria destruição.
Quando estou na rua sinto-me em casa e com direito de odiar tudo isso. Surge uma necessidade enorme de proteger a cidade dela mesma, é como amar um suicida e no fim perceber que quem estava morrendo era você, ou o próprio amor – como uma formiga tentando parar uma manada de elefantes.
Todos percebem, mas o prazer que recebemos em troca é o suficiente para baixarmos guarda e fazer com que o fluxo não tenha fim. Por isso alguém que tente falar de um Deus que pode acabar com todo o mal raramente será bem aceito, pois esse alguém diz que para o mal acabar o mecanismo que nos dá segurança e prazer também tem que ruir.
O que seria importante pra você? O fato de agarrarmos com unhas e dentes algo que está com um prazo de validade intrínseco não vai evitar que esse algo pereça, mesmo que dure mais que a vida da gente.
Por isso, em cidades como as que moramos é importante saber: De onde você mora dá para ver o sol se pôr? Você consegue sentir se é dia ou noite quando se tranca em seu quarto?
Se você sair na calçada conseguirá ver o sol nascer?
Estamos perdendo contato com o que realmente foi feito para nós...
Ontem abri as janelas e vi um lobo selvagem e faminto em meio às flores do meu jardim enquanto crianças brincavam perto dele. A visão só era bela pois o lobo ainda estava dormindo.
O que dá pra ver daí?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Blues da cidade sobre as aparências

Aracaju
(imagem de: overmundo.com.br)

O dia vai embora
Mas os prédios nunca se põem
Ficam como uma rima tesa
achando serem cenário
Escondendo a Beleza
Em ventos de Maio
Eternamente alterados
mas sem nunca gozar
São sim o cenário
Do que sempre mudará
E todos querem estar
Onde o concreto se renova
Caindo como um véu
[Mas sem nunca gozar]
E não querer isso agora
-Não ser concreto nem ser véu.
Me faz ser bem maior
Que qualquer arranha-céu
P.S.: Publicado simultaneamente em: http://fotografodeemocoes.blogspot.com/
P.S.2: Obrigado a todos que comentam as postagens pelo carinho, e por lerem o Da Cor Da Sua Paz.
"See you!"

^^