quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Lar, doce lar!

(Militar americana de volta pra casa. Imagem: Google)


I
Rodopio

O caminho pra casa era um rodopio
E quando se achava estar no lar
Era apenas vertigem
De um desejo que cantava
O que se deseja em demasia

II
Antes pensava que nossa casa era o lugar onde nossa escova de dentes estava, acreditava nisso - coisa que, talvez, tenha visto num filme ou livro – por isso dizia a todo mundo que minha casa era por ai, como um cão sem dono. Mas agora (hoje) percebi que nossa casa é onde podemos ligar o som bem alto e cantar junto que nem bobo, andar sem camisa e esquecer a toalha molhada em cima da cama.

Porque escovas de dentes se compram em qualquer lugar e aos montes, liberdade e afeto não.

III
"Para onde, pois, estamos indo? Sempre pra casa."
(Novalis, fragmentos)
IV
Agora no inicio do periodo são livros com centenas de notas de rodapé, ao fim do dia prefiro algo que não lembre notas de rodapé.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Da cor da sua paz

Local onde ocorreu o fato (Imagem Bruno Coitinho Araujo)
boomp3.com
Em umas de minhas andanças pelo calçadão, no centro da cidade, havia um homem com uma bíblia na mão e uma porção de gente ignorando ao redor. Ele perguntava o que salvaríamos de nossas casas em chamas.
Ora! Salvaria a mim mesmo - respondi calado – e talvez alguns CDS e o violão também.
Porém, um velhinho que passou por mim gritou como quem fala – senti que foi um grito. Ele falou: “salvaria as chamas!”.
O homem da bíblia e o velhinho se olharam por alguns segundos de longe e, ainda de longe, se cumprimentaram balançando a cabeça. E eu no meio disso tudo, como um guri no meio da conversa de adultos: Como é?!


Ia rir, mas a curiosidade foi mais forte, cheguei de fininho perto do senhor e como alguém que não se interessa pelo assunto que fala perguntei o por quê das chamas.
Ele olhou pra mim depois começou a andar e falar ao mesmo tempo, e o vento levava boa parte das palavras embora. Até que ele parou e disse com voz firme: “Você tem que ser amigo do fogo, como um marujo tem que ser amigo do mar!”. Minha cabeça já estava rodando e queria saber que horas eram. Foi quando ele falou olhando para uma loja “Olhe pras pessoas! Olhe pras pessoas! Você acha que as roupas que elas vestem é que são importantes? Isso só faz aumentar o medo que já nasce com elas pelo fogo”. (foi algo assim)

Nesse momento percebi que as “chamas” tinham desde o principio um sentido figurado nas palavras daqueles dois homens. Então lembrei de um provérbio japonês que diz: “Meu celeiro foi destruído pelo fogo, agora posso ver a lua”. E como num estalo notei o que queria ser dito. É que as coisas que nos são importantes, às vezes estão invisíveis aos nossos olhos por obstáculos que nós mesmos colocamos, então vem o “fogo” a “água” e o “ar” para levarem consigo esses obstáculos e nos mostrar a vida.

Aquele senhor era amigo do fogo e falava como quem briga, dando até medo de uma aproximação. Mas quando ia embora percebi que em meio a tanta gente no calçadão ele parecia ser o único a estar em paz.
Era porque sabia que por detrás do seu celeiro, e daquelas vitrines imponentes, e daquelas roupas de grife, tinha uma lua brilhando pra sempre para quem quizesse ver, num lugar onde o fogo jamais alcança.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Como vai você?

Quase todo mundo acredita que sua visão que tem da relidade é a própria realidade.
Não quero começar tudo de novo, é que também acredito às vezes, então fechei os olhos para enxergar melhor.
Vim criar esse post aqui para saber de uma coisa: como você está?
Por que no inicio da semana fui questionado por pessoas que nem se importavam com um “vou bem, obrigado” ou um “vou mal, me ajuda?” como resposta.
Então ao encontrar um amigo que me perguntou a mesma coisa que todos perguntam quando encontram uma pessoa eu respondi: “nublado”.
Ele falou: - Tenho um guarda-chuva se você precisar.
Era um dia ensolarado e ele tinha um guarda chuva se eu precisasse.
Eu pensei: “Também é bom ter amigos quando se está longe de casa”. E nem choveu mais, só porque alguém se importou.
Agora me despeço às avessas, em vez de um “adeus” prefiro perguntar: Como vai você? Está tudo bem do seu lado da realidade?

Aos amigos, conhecidos e desconhecidos. Que todos fiquem à vontade para responder.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Selo "diz que até não é um mal blog"


Recebi de: ( http://sedokaomorutaru.blogspot.com/ ) faz quase um mês já ( é que só agora tive tempo para isso) desculpe a minha lentidão!
Sinto-me grato por isso, e meio estranho também.
Valeu!




Então, aqui vão algumas de minhas indicações:

Sou fã desse:
Descobri esse blog a pouco tempo:

Esse blog é sobre quadrinhos(ou banda desenhada), uma paixão minha:

De um poeta lá de Tocantins:
Curto e fino. 10! :
Mais uma vez agradeço pelo selo!
^^

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Do que tenho certeza

Aracaju: Praia 13 de julho (imagem:http://www.indectelecom.org.br/ )
Um... Dois... Três... Quatro. (na rua) Carros passando sobre o asfalto que a chuva acabou de molhar e pássaros cantam.
(dentro de casa) O indefinido que a chuva trouxe com ela rondando a casa, a TV ligada nas noticias do esporte.
Antes batia uma coisa em meu peito e nunca havia nada, agora há e não é a mesma coisa que sentia quando achava que era. Aquilo era outra coisa. E não transformou-se no que se deu inicio agora, pois o que se inicia nesse momento não pode regressar até se transformar em algo baixo. Isso é bom porque não há riscos de voltar ao modo que era. O que sinto agora é uma coisa diferente do que já senti um dia.
- E você pode estar perguntando: Do que é que ele está falando? -também me perguntava isso antes de ter a certeza.
Dá para perceber, é algo se move em algum lugar no universo - talvez seja isso que mova o universo. E quando a noite vai alta ou o dia sopra seus ventos encanados entre edifícios esse indefinido ressoa em todas as pessoas, é que, às vezes, não percebemos. Mas hoje percebi o que já estava ai desde épocas remotas. E depois de olhar por tanto tempo esqueci como era a visão que eu tinha antes. Se quiser chame de amor então. É que prefiro a definição da personagem Tereza no filme Sonho de Valsa, ela diz: É “o amor que eu tenho pelo meu amor que ainda não tenho”.
Porém, o simples fato de senti-lo é prova suficiente de que existe.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Uma semana à luz da familia e amigos

( Foto: Jose - http://www.flickr.com/photos/raveneye)
Andava pela casa em direção a cozinha quando percebi meu quarto mais claro que o de costume. O motivo era que os raios de sol entravam pela janela e refletiam na capa de um livro embranquecendo todo o quarto. Essa brancura causou a sensação de estar no topo de um lugar muito alto, de onde dá para observar a cidade ou mesmo o mundo inteiro sem que nada de mal pudesse me atingir.
Quis não querer perder essa sensação, e por ter sido tão breve tentei continua-la por mais tempo o que me lembrou que semana passada durou menos tempo do que gostaria, mas o mês ainda não acabou. Mesmo que às vezes eu esqueça.
E ao inicio do novo ciclo pude enxergar que há paz em cada canto da casa e da vida.
Só pude perceber porque finalmente consegui me achar e ver que me interesso por outras coisas que não apenas as de antes. É importante que não esqueça, pois posso me perder de novo. Quase sempre me perco de novo.
O que quero dizer é que o passado pode ser um belo quadro para olhar em certas ocasiões, mas nunca, nunca para viver nele - desisti de viver nele.
E essa percepção despertou um sentido de liberdade – alma leve e corpo tranqüilo – bem como uma admiração pelo desconhecido, como sentir saudades por um filho que ainda sequer nasceu.

Não é que eu me perca para depois me encontrar, é que não consigo ficar “encontrado” por muito tempo. Talvez isso nem seja um defeito, é apenas o que é.
Sei que isso pode ser problema, pois vivo cercado por pessoas que tem motivos de sobra para reclamar de mim, mas nunca reclamam. Elas preferem dar uma segunda chance. E são elas quem me fazem me encontrar, assim como a luz no quarto também fez.

Nessas horas penso que esse pessoal tem parte com Deus, porque sempre penso nEle quando passo a pensar neles. Também porque sei que assim como aquela luz só poderia estar a iluminar a vida daquele modo que aconteceu, essas pessoas também iluminam minha vida desse modo: Deus quer que eu O veja todo dia, e para que eu entenda me fez ter família e amigos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Como se fosse a última vez

(Imagem: Google)

A última vez que a vi foi ano passado. Toda vez que ouvia We Never Danced do Neil Young lembrava dela, e disse isso a ela. Ela perguntou quem era Neil Young.
Ainda lembro como chovia pra caramba aquele mês, tornando os dias mais longos.

E também era longa a distância, mesmo estando perto...
Falei que precisava ficar longe por um tempo. Ela procurou ver algo em tom de brincadeira em meus olhos. Não havia.
Atravessou a rua na chuva e me deixou do outro lado. Duvido que tenha olhado para trás, embora não tenha certeza porque não olhei também.
Aquela foi a última vez que a vi. E hoje a distância que nos separa é de algumas horas, minutos...
Mas ela não sabe me encontrar.
E eu não sei mais encontra-la, pois não consigo me encontrar também.