sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Hy", dear!




Na volta do trabalho encontrei sem querer uma porta para o quente recanto das memórias. Estava tudo tão suspenso, tudo cheio... as pessoas olhavam para mim, comentavam, e uma leve melancolia me fazia pensar "tanto faz" para a vida. Sei o que você vai dizer, que não vai acreditar, mas vou ficar aqui por enquanto.

Ninguém deveria se sentir sozinho num mundo cheio de gente, mas eu não quero o mundo todo, nunca quis.
Eu vou aparecer quando tudo passar, de surpresa quando o sol estiver se pondo em frente ao rio que abraça nossas casas, nosso bairro. 

Vou sair desse esconderijo quando ele estiver as portas da destruição. Já consegui uma vez, por qual razão não conseguiria de novo?

As vezes nossos inimigos tem as palavras mais confortantes. É tão arriscado acreditar. Não me espere chegar, estou inalcançável agora. Solidão é uma senhora de corpo quente e mãos frias.

Quando as paredes começarem a ruir eu abrirei a porta, talvez eu ainda consiga mesmo se demorar mais.
Seu olhar e belo sempre que o sol enfraqueçe, mas agora tanto faz.Não entendo sua falta de confiança ao ouvir que estou feliz,e não há razões para ficar apreensiva. É claro que eu vou sair dessa, só não me espere chegar e me desculpe pelo sono perdido, dessa vez não pude evitar.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tão leve para o mundo


(Imagem: daqui)


Pra te falar a verdade eu gostaria que chovesse toda essa noite. Não somente pelo fato de dormir com chuva ser bom, mas por que também a chuva silencia todo o barulho que o mundo faz. Tudo fica em silêncio em respeito ao choro do céu, daí eu pego esse respeito emprestado e fico pensando que é só por minha causa.

Madrugadas chuvosas despertam sentimentos que elevam a alma e são difíceis de descrever, como se fosse esperança e ainda assim é mais que isso. Não dá mesmo para dizer o que é. Não com as palavras que estão nos dicionários. Há um grito preso em minha garganta, ou talvez seja só canção.

Noites chuvosas devem ser desesperadoras para os da rua, sem abrigo e família (para brigarem e serem felizes), como eu na medida do possível. Como é fácil pensar com um teto sobre a cabeça. Em tempos que a felicidade é vendida em garrafas na TV não posso esperar muito. Não devo. Eu só queria que essa chuva não passasse logo quando começar. As nuvens anunciam e eu a espero.

A felicidade está num dia de sol, eu sei, mas também em noites chuvosas de asfalto molhado e ruas silenciosas. Claro, e em nossas atitudes em relação a ambos. Só assim meu coração aquieta.

sábado, 30 de junho de 2012

Branca de neve e os espelhos trincados

(Imagem Daqui)

Eu a via em suas mechas em meio à rotina, rindo da aparência do homem que vestia espelhos.
Uma velha senhora com um cesto de maçãs a tocou e perguntou o motivo do escárnio com o homem que vestia espelhos. "Ele só reflete você" - Branca ouviu assustada. 
E eu que me espantei com a aparência da velha, já ia chama-la de bruxa quando percebi ela refletindo a mim também. 

Nos contos de fadas da vida real a realidade é sempre para além das aparências.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Você tem meu descanso de mim


 (Imagem da comuna "sou careta" - orkut)

Eu deveria ter andado com pessoas como você na época do colégio. Junto com meus outros amigos, talvez nossa loucura fosse menor e o mudo adulto não massacrasse tanto.

Gosto do seu jeito de dizer que vai ficar tudo bem quando seus pais olham para o céu nublado e comentam as noticias do telejornal. Eu ligos os fones tão alto que mal escuto a buzina dos carros em cima de mim. Só percebo que tem chuva quando a  água já está nos tornozelos.

Não me acostumei a ter que vestir perfeição longe de casa. Sou todo errado e tenho algumas contas para ajustar. Imagino o que tenha te atraído ao meu lado. Você e sua vida perfeita enquanto a chuva cai - Um lar para voltar e certezas.

Eu deveria ter andado mais com pessoas como você...
Você e eu na saída do colégio e todos os amigos ao redor.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Revisitando saudades

(Imagem: Arquivo pessoal)

Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruza a Hermes Fontes e a Avenida Barão.

Em algum lugar, algum dia estaremos todos juntos novamente. Nem que seja por um momento apenas.

domingo, 25 de março de 2012

Um romance adolescente


(Video: Dawn Landes - Straight Lines)

Quando te conheci, você me mostrou uma outra face do mundo e me prometeu mais. Eu sempre acordava em meu quarto depois das noites e madrugadas que passávamos juntos sem saber como havia chegado em casa. Você era como a chuva caindo sobre a minha cabeça, depois me deixava latejando até ao meio dia. Às vezes era difícil de te encontrar, você sumia por dias me deixando mal, foi então que percebi o quanto passei a depender de você para poder continuar seguindo em frente.

Me sentia só e era só você que me dava paz e centro, mas você ia embora cada dia mais cedo do que de costume. Quando vaguei pela cidade à sua procura encontrei sua casa e todos os garotos da cidade à sua espera, foi uma cena da qual não me esquecerei. Tentei dar doze passos para fora dali, por seis meses não consegui e me vi na fila dividindo você com todos da cidade. Eu te amei de inicio, eu juro, mas agora você estava levando minha alma...

Tentei mil vezes caminhar para longe de você, mas sempre caia no sexto passo. Eu queria resolver as coisas com a minha própria força, à força. E foi no chão que supliquei e Ele ouviu a minha voz, pegou-me em Seus braços e completou por mim a caminhada para longe de você. Ainda pude ouvir você gritar promessas e sorrir para mim, é mesmo lindo o seu sorriso, todos na cidade sabem disso. Minhas feridas foram curadas, Ele me deu roupas novas e me lavou, depois apontou o caminho que eu deveria seguir “estarei sempre por perto” - Ele me falou sorrindo.

Nas raras vezes em que te encontrei depois, te vi nos braços de meninos na flor da idade e senti-me feliz por não haver a menor chance de voltar. Mesmo depois do dia em que você trouxe todos os meus velhos amigos para que eles me convencessem a reatar os laços perdidos, fiquei contente ao dizer não. Romances como o nosso só têm mesmo um final feliz depois da separação.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Acampamento de verão



(Imagem Lu almeida. Fonte: Overmundo)

Alguns insetos têm o instinto muito aguçado para o calor (outros para a luz). E quando os dias são chuvosos ao extremo, esses insetos conseguem achar abrigos aquecidos assim como os magnatas da indústria acham minério nos confins da terra.

Tenho um desleixo muito grande com o tipo de coisa que ainda estou às portas para compreender. E no meio do mato, é claro para qualquer um que, uma barraca num dia de chuva é um prato cheio para qualquer tipo de inseto. Eu poderia apenas puxar quatro zíperes e não teria que ficar “caçando” aranhas, formigas, lagartas e outras coisas que nem sabia que existiam no mundo lá dentro da barraca. As aranhas me driblavam como se fosse um jogo de futebol enquanto as lagartas apenas ignoravam minha presença.

Alguns insetos são como pessoas. Alheios ao mundo em redor, não fazem noção da dimensão do espaço em que estão inseridos. Tenho certeza de que, para aqueles bichos, a mata minúscula era todo o universo do qual eles tinham conhecimento. Nascer, viver e morrer sem ter noção do mundo ao redor é mesmo aterrador. Alguns insetos são mesmo como os seres humanos. A diferença é que os insetos machucam menos. Porém mesmo sendo tão parecidos em inteligência eu continuo preferindo as pessoas.

Todos nós estamos esperando o sol nascer (às vezes estamos alheios a isso também) enquanto vivemos o que sabemos. Nossas vidas são um acampamento longe de casa. Nós não sabemos de nada.