quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

365 dias

(imagem: Helder Mendes)

Liguei para um grande amigo noite passada e ele me falou: “Ei! Fiquei sabendo que você largou tudo e agora está ao léu.” Só pude responder: “Eu me sinto vivo!” – soou idiota – e ele suspirou, o suspiro dele falou: “valeu a pena?.”

Eu me sinto perdido... E não é tão bonito quanto nos filmes ou musicas se sentir assim. É como dormir num bairro violento sem se preocupar se as portas serão arrombadas, não pela casa ser segura, mas pelo fato de não existirem mais portas. O alívio é, no fundo, desespero.

Eu me sinto perdido e minha casa não tem mais porta ou portões para me deixar seguro à noite. OK, então agora posso me preocupar com problemas reais ao invés de ficar pensando em algo que nunca acontecerá, como antes fazia.

Fiz planos para esse ano. Pela primeira vez na vida planejei conscientemente meu futuro-não-muito-distante, mas agora me sinto como se estivesse perdendo de 10 X 0 aos 15 min. do primeiro tempo. Como quando alguém leva uma rasteira ao se preparar para correr.

Em outra ligação comentei: “É como ter bons olhos numa terra de escuridão, eu não consigo enxergar. De que adianta então?” a outra voz falou: “ao menos você tem bons olhos para enxergar a escuridão. Um bom começo para sair dela.” Oh, Deus! Quem conseguirá um dia dar um preço aos amigos e o que eles têm a dizer?

Então eu não me sinto tão perdido... Só com bons olhos tateando na escuridão... Com meus planos e perdendo de 10 X 0 (mas ainda há o segundo tempo).

Sair na rua assim é aterrador. Tudo na cidade está contra você, à espera nos terminais, os olhares das meninas e a malícia dos homossexuais, os carros que freiam em cima de você – por estar tateando na escuridão – tudo, tudo.

Esse ano planejei dedicar mais tempo a Deus, e agora o mundo e essa cidade (na verdade, as conseqüências de minhas escolhas) caem por cima de minha cabeça depois de me derrubar por um tempo – vai ser só por um tempo!

Um homem falou certa vez, “quem não tem um motivo pelo qual dar sua vida, não tem motivos para viver.” Eu vou pagar para ver, ainda que pareça estar no meio de um tiroteio, ainda que esteja tão longe de casa – da casa sem portas – na escuridão. Isso não é uma tragédia (pois eu ainda tenho 30 minutos e o segundo tempo inteiro). Só preciso de uma força que não tenho, não ainda. Quebrei a cara, assumo, e junto com ela foram as pernas e os braços. Talvez eu estivesse errado desde o começo...

Vou virar o jogo e esse ano passará rápido ou então farei uma máquina do tempo para tomar outras decisões (Esqueça, uma fuga de novo não!!!). Vou tomar minha cruz. Meu Deus, eu me entrego, vou começar a lutar. Ajuda-me, por favor!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Selos!

Recebi da Jaqueline do blog Just So You Know Esses cinco selos. Fiquei feliz com o fato de uma pessoa com um blog tão legal escolher o Da Cor Da Sua Paz!
Obrigado a Jaqueline, e a todos que curtem as postagens daqui. Quando comecei não entendia direito o que é um blog. Ha ha ha ainda não entendo totalmente... Mas me serve e, acredito, serve a todos vocês, blogueiros ou não para sairmos de nosso mundo falando de nossas vidas ou outras coisas comuns ao seres humanos.

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Repasso os selos para outros blogs que admiro muito, são eles:

#1 Contos de F.
#2 Dear, dear diary...
#3 Dois Rios
#4 Eu Acho Que Foi Assim
#5 Quente e Letrista
#6 Flávia´s little drawings
#7 Letícia
#8 Infinito público
#9 Ordem, Progresso e Crítica
#10 Miniminimos
#11 Sedokao Morutaru

Então, aos selos:














Ótimo Natal e um ótimo 2011 aos leitores, amigos, blogueiros... Até ano que vem!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mais uma vez

(imagem: ela2 - tirada de: pensadora2.blogs.sapo.pt)

Eunice segue a estrada
O sol vai alto
Queimando o asfalto
E o coração em brasa
Queimando os sentidos
- Poderia ser um sonho...

Eunice segue a canção
Sua vida daria um blue
E apesar de tanta dor
Ela vê flores onde passa
E apesar de tanto amor...
- Agora são só flores, mais nada

Eunice segue no asfalto
Enquanto o sol queima os sentidos
E o coração em brasa
Turva o caminho
Quase perdendo de vista
A linha dessa estrada

Eunice segue as estrelas
E num planeta distante
Encontra ela mesma. Eunice:
Por que esperar até o ápice, desesperada?
Começa de novo a história linda
De quando nossas vidas eram como flores
E eram só flores, mais nada.

(Escrito em 02/08/06)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

De repente, chuva!

(imagem: recebendo chuva homem - kdomeu.blog.terra.com.br)


Desde muito tempo venho tendo uma relação quase que pessoal com a chuva, os dias de chuva. Não sei quando isso começou - o tempo já passou demasiado para ter uma certeza.

O fato é que quando começa a chover o barulho no telhado e o cheiro que sobe da terra causa uma angústia e uma sensação de alívio. É como se estivesse preso e a chuva, de algum modo, quebrasse as correntes. Ou então fizesse o oposto, me fazendo ter a certeza de que nem Bach ou Mozart conseguiriam captar e fazer com que me sinta como me sinto quando ouço as gotas d’água cair, as pessoas correndo, os vidros embaçados e o corpo molhado! Em meu peito há um furacão e só os dias de chuva o acalmam – ou centuplicam o estrago. Ainda não existe meio-termo essas horas, ou é o céu ou o inferno. Porém a chuva dá serenidade aos efeitos de ambos.
Você já percebeu como o mundo se cala quando começa a chover? E se não ligar para os sapatos molhados e as pessoas apressadas conseguirá ver você em meio, em meio ao mundo. Mas isso ainda não é solidão, pois esse não é o caminho para ela. A solidão é mais egoísta, os dias de chuva não, são para todos inclusive os sozinhos. É que ambos te pegam desprevenido, mas creio que o guarda-chuva para a solidão seja um coração transbordante. Quando o céu te pega de surpresa só resta aceitar.
Um dia aconteceu... meu primeiro encontro consciente com ela. Ao voltar para casa entrei na rua em que moro e começou a chover, a chuva veio lenta na esquina oposta e parei no meio da rua procurando um abrigo, uma rota de fuga para o inevitável. Calculei a distância para a porta e corri, ela, como se estivesse viva acelerou incrivelmente e me pegou no terceiro ou quarto passo, molhando a mim, a outra metade da rua e o restante do bairro, foi como um abraço.
Ao chegar perto de casa já não corria, abri o portão e olhei para o céu para contemplar aquele espetáculo de Deus acontecendo - não do outro lado do mundo, nem num programa ou telejornal, mas ali - em minha frente, na cidade e dentro de mim.
Então hoje é o último dia de novembro, o calor arrebata saudades dos tempos frios e até os últimos acontecimentos nas favelas do Rio deixam uma sensação de tranqüilidade com relação ao futuro. Mesmo sabendo que aqui a paz não é para sempre, sei que as guerras também não são. Assim como a chuva cai depois de um longo período de seca espero que a paz possa reinar. E que venha para sempre.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Todo mundo foi criança III

(imagem: 4 - Nuno Bernardo - Olhares.com)


Percebi a cidade com uns 19 anos, era incrível a noção de pensar e sentir dentro dela à primeira vez. De modo lúcido perceber que há possibilidades.
Quando era criança meus amigos e eu pregávamos uma brincadeira nas pessoas que passavam por nós, "Ei, moço!" - chamava-mos. Quando a pessoa voltava perguntava-mos: "se você não tivesse voltado já estaria onde?". O pessoal ficava fulo da vida conosco. Aprendemos a ficar longe de possiveis cascudos, então, para a brincadeira ficar mais divertida.
Mas tudo o que vai tem volta, e hoje recebi o troco por minhas peraltiçes de alguns tempos atrás.

Quando ouvia um som olhando o céu pela janela, notei o horizonte de casas e prédios então aconteceu. A cidade entrou pela casa e me perguntou - me perguntou jogando seu hálito quente de dia de verão fora de época: "se você não estivesse aqui em mim, onde poderia estar?" Longo tempo de silêncio... Pensei: será que é preciso tudo isso para sermos felizes mesmo?

Parecia haver sorrisos maliciosos e irônicos para mim. Quis pensar em algum lugar para estar que não esse e não veio nada em minha mente, parei e olhei ao redor, como alguém que se percebe preso no espaço e tempo - pela janela sentia os sorrisos irônicos.

Havia outro lugar para estar, vários lugares, aliás. Porém escolhi esse aqui para ser onde quero estar (como quando eles dizem nos filmes: "estou exatamente onde quero estar!"). Os sorrisos irônicos cessaram como quando alguém se espanta ao ser descoberto em segredo. Descobri um segredo das cidades. Hoje eu sei -assim como aquele pessoal que zoava-mos na rua - hoje eu sei que estou só de passagem, e essa foi minha resposta a ela. Você nos prende e condiciona as vidas aos seus caprichos pois foi feita para nós, mas nós não fomos feitos para você. Sei exatamente onde estou e onde quero estar.

Diz pra mim, quem vai sorrir agora?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Julie Anne

(Imagem: Flores Azuis - Lúcia Maria Fernandes - Olhares.com)


Choveu tão bonito na tarde em que você se foi, e eu tirava fotos de flores azuis antes de saber.

Tenho certeza que Deus estava por perto, pois esse clima me confortou (antes mesmo de saber).

Quando te encontrar naquele grande dia espero poder dizer o quanto te esperamos, o quanto te amamos mesmo sem termos conhecido você. Peço a Deus que isso aconteça, que Jesus nos dê forças.



Até breve!

sábado, 31 de julho de 2010

Da série: "é grave Doutor?

Ele: Apenas 10% das pessoas apresentam esse probrema na visão
Eu: (Depois de arregalar os olhos espantado) Quantas pessoas já passaram pelo seu consultório?
Ele: Muitas filho, mas estou falando de 10% da população mundial.

Poderia ser pior, vou olhar pelo lado bom, ao menos não estou cego não é? E ainda tenho milhões de pessoas para conversar sobre.
Vejo vocês mês que vem, mas não fiquem tão longe, posso não enxergar.
Ah, nam fiquem tão perto também posso não enxergar do mesmo jeito...