sábado, 22 de novembro de 2008

Roda viva

(Imagem: Catarina Krug - Olhares)



No começo, logo de inicio, era algo inexplicável. Corria para os discos e livros no intuito de fazer passar e passava, mas logo esse artifício não adiantava muito...
Por longo tempo pensei que era algo banal, é algo banal.
Quando encontrei a paz [entenda-se Cristo] isso pareceu ter ido embora, e foi mesmo. São dias claros de céu azul e sorriso no rosto, camisas de cores pra cima. E não há mais medo da noite ou madrugadas acordado agora.
...de alguma forma pareceu voltar, com certeza voltou. Mas não vou entregar tudo o que conquistei assim de mão beijada, ah não mesmo! O que aconteceu? Eu estava de guarda levantada. Como ela conseguiu me atingir? (???????)
Dizem que a tristeza é uma forma de egoísmo (foi o Arnaldo Antunes quem me falou pessoalmente através da TV ^^). E deve ser mesmo, com certeza é.



Você chega todo o dia à noite
Ou quando estou sozinho
Me tira pra dançar num ritmo frenético,
Vertiginoso para baixo.
É tão quente o seu sorriso
Você me aquece
Me faz companhia
Vindo em minha direção
Com uma arma suja de sangue nas mãos
E quando digo que posso morrer desse jeito
Você sorri e responde diante dos meus olhos:
“Ei, você já está morto há muito tempo,
É que ninguém percebeu!”


Minha doce menina
Você está comigo o tempo todo
E eu não lembro do teu rosto
E pensando bem nem te conheço
Mas você sabe tudo sobre mim.
Minha doce tristeza
Pode vir à hora que quiser
Mas não me leve com você
Venha à hora que quiser
Mas não me leve com você!

[escrito entre estações em algum dia de 2006]




Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Eu não teria o nome que hoje eu tenho
Mundo mundo vasto mundo
Ah, eu não teria mesmo!



“Deixo com vocês a paz. É a minha paz que lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos nem tenham medo” – Jesus (João 14: 27).

“Tu és o meu esconderijo; Tu me livras da aflição. Eu canto bem alto a Tua salvação, pois me tens protegido” (Salmos 32: 7).

E eu nunca precisei tanto dessa ajuda como hoje!


(Hoje são lua e estrelas, e um sol covarde que foi se esconder do outro lado do mundo).

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma carta de não-amor e não-ódio (para Lúcifer)

(Belle and Sebastian - I Fought In A War)

Na boa, apesar de a musica ser muito bonita, não precisa ver esse video se vc não tá nem ai pra o mundo ao redor

Não me faça me sentir por fora me mostrando tudo o que perdi dos prazeres do mundo ao escolher esse caminho. Eu não quero suas teorias, e nem o seu ódio também. É um caminho longo, mas não quero nada que venha de você.

Quando a lua brilha alta no fim da tarde ou na solidão da madrugada, imagino que tudo isso aqui em baixo é por sua causa, mas não te odeio por isso, nem consigo te amar também.
Eu sou como você, porém por pouco tempo. Uma fração de segundos próxima à eternidade.
Exatamente “quase iguais”, mas eu decidi viver, você não. Você roubou tudo o que eu tinha com uma simples mentira, e você tinha tudo quando fez isso.
Por qual razão então?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

... nº2

(imagem de:http://reflexosereflexes.blogspot.com/2008/06/sem-ttulo_11.html )

Blá blá blá. Blá blá. blá blá blá blá blá? blá blá, blá: blá blá blá blá blá...
Blá blá blá.
Blá blá blá ^^. blá blá blá blá blá blá. blááá? bllllá blá blá. Blá blá blá.
blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá blá, blá blá blá blá bllá. blá blá.

Blá blá blá blá blá? Blá blá? blá Blá. -´bla.
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá.
blá, blá, blá, blá, blá blá blá!!!! Bla blá blá blá! Blá blá blá blá blá blá.
Blá blá ( blá blá blá blá, blá). Blá blá blá blá blá blá bla bla bla bla bla.

ala bal lab ´ab lb ab blá.

Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá.

Blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá.

blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá.
blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá ,

blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá.

Blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá

blá blá blá blá blá. Blá blá blá blá, blá blá blá blá blá blá blá blá blá.



b l á, blá blá blá, blá blá blá blá.


Blá.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Todo mundo foi criança

(Novo Tom - Pode cair o mundo estou em paz)

Eu fico pensando: o que realmente importa? O que importa não é nada, nada do que agente acha que importa, o essencial é algo muito simples, algo que o meio - toda a correnteza em que vivemos – às vezes, não nos deixa perceber. Mas eu sei, eu sei, pois todo mundo foi criança um dia, eu lembro. Nossos amigos, hoje alguns se esquecem e deixam-se levar pela corrente que começa tão suave antes das fortes correntezas.

Todo mundo tem um preço, e isso é tão certo quanto tudo o que é concreto na vida. Seja no gueto ou num lar abastado, esse preço já foi pago, e custou caríssimo, custou a mais importante de todas as vidas.

Quem é que se interessa em trazer o mal? Em espalhar toda a dor? Não importa (na verdade importa, mas isso não muda muita coisa).
O fato é que tudo o que fazemos uns com os outros estamos também fazendo para com um alguém que vale infinitamente mais que toda a riqueza que se pode imaginar.
E nossa responsabilidade vai desde um sorriso até o máximo que pudermos fazer de bem para essa pessoa. Não tem nada a ver com onde o outro esteja, se do seu lado ou do outro lado do mundo (digo isso porque você vale muito pra não ficar sabendo do valor que um ser humano tem). E esse conhecimento é a essência da máxima: “somos todos iguais”.

Da próxima vez que ver alguém num sinal, feliz, caminhando ao seu lado, ou se explodindo em meio a uma multidão num país do velho continente, saiba que ele ou ela é responsabilidade sua (e minha e nossa). E não é só porque agente cresce e ganha pêlos no rosto e dinheiro no bolso que pode se sentir superior. É responsabilidade nossa!

Esse blog trata sobre pequenas partes da vida, mas esse post fala da vida por inteiro, esse post é sobre o sacrifício de Jesus, e sobre como todos nós estamos inclusos nisso.
Talvez estejamos adultos demais em nossos dias, o mundo pesa muito dessa forma.
Deve ter sido por isso que Ele falou que o reino dos céus é como uma criança.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Até o céu

(Foto: Helder Mendes)


Quando você me vir chegar do trabalho assim (triste)
Pode ter certeza de que vou pular fora e arrumar outra coisa pra fazer
Não quero só gozar mãe, quero uma mulher para poder amá-la
Há varias maneiras de se ganhar dinheiro, até mais fáceis que esta
Mas eu não quero só dinheiro mãe
Quero também a felicidade
P’ro mundo não é comum
(Nem é questão de ser ou ser comum)
Meu sonho de consumo é a vida

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Superstar

(imagem: Karina Bertoncini www.olhares.com)

Como posso começar... Bem, o que quero dizer foge completamente aos princípios desse blog, que foi criado para falar sobre sentidos comuns ou percepções da vida urbana, mas – pra citar Drummond - Isso estava inundando minha vida inteira. E por hoje ter me sentido livre de tantos anos... (Talvez o que queira dizer seja “indizível”) Mas preciso dizer, então lá vai:

Os meus amigos e amigas e amores de inicio de adolescência, nós nos afastamos um pouco pelo rumo que a vida tomou.
Nos reunimos essa semana (todos juntos como nos velhos tempos!) como nos velhos tempos... Pense como o coração fica parecendo bateria de escola de samba essas horas! E era tudo outra vez: as bebidas, as musicas, as histórias. Se bem que eu já tinha parado com um monte de coisas.

Foi ai que aconteceu - como um Déjà vu às avessas. O tempo voltou e todo mundo tinha 16, 17 anos novamente. Havia uma chuva começando lá fora, fechamos as janelas e tocamos as musicas que pairavam na mente noite a dentro, por horas. Até que cada um foi pegando seu par (como naqueles tempos) e ela [vou chamar de X] veio em minha direção apenas com os olhos. E os olhos dela se perguntavam a que horas eu iria começar a implorar, antes ou depois de eu encher a cara? Mas eu já havia parado com uma porção de coisas. E a chuva batia no teto das casas como uma canção triste e era triste aquele momento. Ela, mais uma vez, fez o favor de deixar-me sentir o seu perfume dizendo que eu era a pessoa mais importante – e dizia isso como quando alguém sabe que possui algo garantido, e então deixa em standby indo viver sua vida, pois sabe que num estalar de dedos terá aos seus pés o que nunca é de ninguém para sempre.

Nesse momento sai em direção à porta bem devagar a ponto de me assustar. Não tinha vindo aqui pra isso, eu queria me divertir entre amigos. Aonde eu iria nessa chuva? – me perguntavam. Só consegui fechar a porta atrás de mim porque as palavras sempre falham na hora errada, e nem adianta ter 20 anos de escola – elas simplesmente falham. Fui caminhando debaixo de chuva seguindo a bússola que há dentro de cada um de nós. Era interessante ver pequenos rios se formarem nas ruas, o vento uivar e toda aquela água cair. A cidade fica vazia quando chove de madrugada (eu já tinha esquecido) é assim na província onde vivo.

Mas o que não me fez cair de joelhos e dizer sim ao ouvir o que mais se espera durante tantos anos da pessoa que foi o motivo de vida? Não, não foi o fato de ter ficado uma eternidade em standby, mas o fato de haver, do outro lado da cidade uma guria que eu nem sabia que existia, e que me faz um bem danado, e que há algum tempo atrás nem tinha rosto – agora tem.

“Ei, otário!” – eu ouvi – eram três mendigos embaixo de uma marquise. “Tá tomando banho! Que otário!” – um gritou – será que ele viu o que aconteceu? Que eu não agi como homem ao tirar X dos meus braços – não, ele dizia aquilo pelo fato de eu estar na chuva, mas de certa forma ele também estava. “Ta tomando um banho, otário!” – não tive duvidas depois disso: aquele mendigo sabia de minha vida toda. Quatro anos tomando banho. Porém a chuva dessa madrugada na verdade estava me enxugando e me aquecendo. Guardei o desaforo para levar pra casa, iria enterrar na vala de desaforos que eu levava pra casa.

Continuava a caminhar em direção ao rosto que estava em meu coração agora, quando percebi ser quase duas da manhã. Parei no primeiro abrigo que encontrei e fiz uma ligação, pra falar a verdade não tinha o que dizer e falei qualquer coisa. Antes de perguntar se eu estava bem ela perguntou se eu sabia que horas eram. Disse que não. Ela falou: “Meu filho...” – disse que sabia, é, sabia. Tentava falar coisas que não as frases monossilábicas que saiam, ela interrompeu: “Ei!” (silêncio...). Era madrugada e o tempo já corria normalmente no presente, pois a pessoa que eu sabia que existia e que me faz um bem danado era outra que não a X, era quem estava do outro lado da linha com voz de sono: “amo você!”. E foi ai, então, que percebi que a vida da gente é de uma grandeza imensa, quando damos valor a ela.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O bem e o mal

Imagina se esses dois ao invés de perderem tempo com guerras usassem suas vidas (e a de milhões) desse jeito!



Não é preciso o mal para o bem se manifestar. Isso é apenas um dos conformismos que aprendemos ao longo da vida. Não sou tão burro a ponto de negar a existência dos dois lados, mas onde quero chegar é: o bem pode existir apenas com a consciência do mal, e não com a realização deste. É uma opção, a escolha de um lado, mesmo que o outro lado também o atraia. E nem é ingenuidade, é sabedoria mesmo, porque nós somos sábios apenas em dois períodos de nossas vidas: infância (digo por experiência própria), e velhice, quando voltamos a ser crianças (essa é uma experiência alheia ainda), pois os adultos são os seres mais confusos que esse mundo contém.


E eu tinha acabado de chegar do futebol, quando fui tomar banho e o Yin e Yang ficou pairando sobre minha cabeça, pedindo para que o aceitasse, dizendo que é preciso a crueldade para completar o bem. Então a criança que havia em mim como um desses garotos de beira-de-estrada - falou-me: “Toda a sua confusão, é só conformismo”. “O bem e o mal não são irmãos siameses – sequer pertencem a mesma família.”
“É apenas uma questão de escolha.”
Escolha.