quinta-feira, 29 de setembro de 2011

No front


(Imagem: Neblina Matinal - Benjamim Vieira - Olhares.com)

Aqui estamos nós, espíritos vigilantes, combatendo o que um dia poderá nos destruir se passarmos a olhar com os olhos do inimigo. Se passarmos a olhar com os olhos do inimigo, amaremos o que nos persegue e isso será nossa destruição - quanto do lado de lá já estará em nossos corações?

Toda vez que o sol nasce para fora da casa tenho a sensação de que somos os últimos na trincheira, todos os outros debandaram ou foram pegos. Então eu corro o mais longe possível disso tudo, mas não por muito tempo.

Não é que eu esteja fugindo de você, não é isso. Mas sempre que o sol vai embora e me vejo esperando o fim, tenho a nítida sensação de que você está mais próxima do que imagino - Se for verdade não tentarei fugir, garanto. O que não me é preciso é se ainda estamos do mesmo lado. (pois eu não sei o quanto de lá já está em seu coração). O simples fato de sabermos da existência um do outro torna impossível um esconderijo seguro, até mesmo nessas trincheiras.

Quando escurece sinto até sua respiração próxima a mim e me pergunto quanto do outro lado estará em você. Pois eu olhei por cinco segundos e passei a amar o que deveria destruir, foi difícil me livrar dessa armadilha - por quanto tempo você olhou também? Eu preciso saber antes de nosso próximo encontro. Antes do nosso próximo encontro, jovem amiga, eu preciso saber de que lado você lutará. Já não restam muitos de nós e não vou arriscar tudo outra vez, ainda que o inimigo seja belo e tenha o seu olhar, ainda que o inimigo seja você ou eu.

2 comentários:

LADY D. A. disse...

Toda vez que fecho meus olhos eu vejo uma pessoa, não é amargura ou desentendimentos que nos separam, e sim o destino que nos escolheu para ver o quanto suportamos viver um tão longe do outro...

Jaquellinee disse...

Olá querido, quanto tempo em.
Nossa muito lindo o texto, não tenho nem palavras pra descreve-lo.