sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Doce garota da zona sul


(Imagem: HATS - Windows)

O sol se pôs na pracinha enquanto lembranças de conversas com a menina mais linda pairam dentro de mim.
Isso dá um belo sentido à vida. Espero que nossos corações sempre se alcançem toda vez que o horizonte ficar laranja sobre as lembranças e sobre o presente.

Você é constante como o rio silencioso e calmo ao redor, mesmo que não possamos ver. Eu sou nuvem que passa, chovendo escondida e desaparecendo por meses. No fundo somos a mesma água.
Eu levava uma vida muito perdida e não percebi sua perfeição.

Saber de sua existência já me faz estar perto de você e mesmo que eu não possa ve-la e a amizade ainda arde em meu peito como uma chama. Ainda que fosse possivel esquecer, a Joni e a Karen sempre te traz de volta não importa onde estejamos. Não importa onde.

See you!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Enquanto a chuva não vem


(Imagem: Daqui)



Por favor chuva, inunde minha cidade até um milhão de vezes o mais alto arranha céu. Enxague nossos corações secos. Leve embora até a roupa de nossos corpos, nos traga de volta a vergonha e leve embora o medo de sentir dor.Venha de súbito, no momento de maior distração, nos desperte de toda alienação de nós mesmos. 

Por favor chuva, destrua minha cidade até o mais sólido alicerce, arraste nosso caráter falso para o fim do mundo. Não poupe nada nem tema ser implacável com ninguém, lembre-se que somos bem piores do que gostaríamos de ser. Quando vier chuva, por favor, leve tudo com você. Estamos todos precisando de um recomeço.

domingo, 14 de outubro de 2012

Um dia no trabalho

(Imagem: Através dos tempos - Manuela Rodrigues - Olhares.com)



Acordar com o céu clarinho, tomar banho para despertar. Escutar as musicas da vizinhança e suas brigas matinais. Tomar café, às vezes não. Encher a pele de protetor solar. Cheiro de talco de bebê em parte do material de trabalho – sempre lavar antes das pesagens.

Sol gostoso na rua logo cedo, pessoas chamando meu nome. Ponto assinado, agendas a preencher. Trabalho a ser feito, sorrisos e pé na estrada. Vento-de-vez-enquando, suor misturado com perfume e protetor solar, ruas com cheiro de cocô de cachorro (depois que chove é pior).

Pessoas acordando e indo trabalhar, pessoas dormindo e ficando em casa, eu acordado e por vezes dormindo na casa delas. Sorrisos, cantadas e esquivos. Lábios sorrindo, bocas cantando. Xingamentos e desculpas, fingimentos e malícia. Assaltos frustrados, pernas pra quem te quero. Telefonemas e cansaço.

Sol a pino e cheiro de flores, perfume de mulheres que são o alicerce do mundo, minha cara de criança olhando para elas. Assinaturas e adeus. Carros passando rentes ao corpo, eu no meio da rua de novo. Cachorros de rua, velhos amigos, gatos, preguiça... Que vontade de estar em casa! Telefonemas e sorrisos, explicações.

Conversa jogada fora, confidências, pessoas desconhecidas. Homens nervosos, doentes e doenças. Velhas felizes, solidão dentro da porta e em meu coração. Baby doll e cachorros assassinos. Promessas e esquecimento – lápis e papel como remédio. Relatórios e avaliações, descanso e diversão. Vidas que me observam. Amor em todos os endereços, esperança nas calçadas, salário no fim do mês.

Depois, tudo outra vez.


domingo, 7 de outubro de 2012

Depois da escola

(Imagem : Relações intemporais num futuro incerto - Pedro Enes - olhares.com)

Dizem que os amigos que você faz na escola duram a vida toda. Talvez porque seja a única época que se possa fazer coisas estúpidas na vida sem se importar tanto. Ninguém liga para os erros enquanto ignora o futuro, ninguém liga para os erros enquanto ignora os defeitos e não tem a noção certa do que é correto fazer.

Arrumar confusão é divertido na época do colégio. Quando você baixa a guarda, vive aproveitando os momentos e descobrindo, se torna um “idiota” para a maioria das pessoas, elas realmente se incomodam e eu nunca saberei o porquê. Tentam a todo custo fazer meninos e meninas únicos tornarem-se cópias de cópias, então exageram e isso pode incluir visitas a sala da direção, suspensão ou policia na entrada do colégio. Talvez seja seguro para os mais velhos lidar com pessoas iguais. 

Pra quê esconder as coisas? Para quando errarmos nos condenarem como a um criminoso? A honestidade é sempre o melhor remédio. Tenho o dever de dizer que erro mais do que acerto quando tento explicar a alguém os caminhos para um comportamento correto. Tenho o dever de fazer isso com amor. É por isso que em certa idade os amigos que não se importam com cara feia nem promessas de punição, buscando com sinceridade diversão ou soluções, podem ter muito mais influência na vida de uma pessoa do que pais, professores e autoridades. Então o futuro fica por conta de que tipo de pessoas deixamos que nos influencie.

No mais, nesse tipo de amizade, não há perigo, nem quando se está numa briga que não sabemos como começou. Sempre levei comigo a sensação de que nunca seriamos pegos, quase nunca isso se concretizava. Mas estar na pior, cercado de gente que se gosta, é melhor do que ganhar o mundo e levar uma vida amarga. Nem sempre gostei da escola, embora ache fascinante um lugar feito para aprender e ensinar coisas... 

Houve uma época de minha vida que andei de guarda baixa fazendo coisas “idiotas”. Sou feliz e isso se deve, em parte, por causa daquela época. Estou feliz por saber que todos nós estamos bem hoje. A vida é um constante aprendizado. Eu ainda me sinto como nos tempos da escola, contando as horas para aprender e ir ver as coisas de verdade. Boas lembranças.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O colecionador de pores do Sol


(Pôr do Sol do dia 27.09.12 tirada com celular).

Durante parte de minha adolescência costumava fotografar o Sol da janela de minha antiga casa toda vez que ele ia embora. Eram imagens bonitas das várias cores que o céu ficava durante o crepúsculo e raramente notamos. Verde, rosa e azul escuro eram as cores que mais me impressionavam. Acabei perdendo 99% das fotografias, então passei a ser apenas um observador. Deixei de levar o Sol para casa toda vez que ele descia. Agora só na memória.

Quinta passada estava indo rever amigos e notei o Sol indo para o outro lado da terra enquanto a cidade voltava pra casa.  A tarde estava cinza com as nuvens pesadas que derramariam chuva por todo o fim de semana, então ele apareceu atrás das nuvens pintando tudo de laranja antes de ser encoberto novamente. “Até amanhã!” acenei com a cabeça. É preciso viver com a esperança de que sempre amanhecerá.
 Nenhum pôr do Sol é igual. Deus é o maior artista do Universo.