terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Como uma estrela qualquer lá do fundo do mar

Na solidão da casa pratos e talheres sobre a pia, portas e janelas fechadas, livros em cima da mesa. A solidão espera alguém chegar para pôr tudo em ordem.

Na rua, ele - que tem a força para mudar o mundo, mas não sabe – andou fugindo por uns tempos até dar de cara com as chaves do portão em todas as esquinas. É hora de voltar, prender a respiração e girar a maçaneta – sempre dói menos se você pensar que terá fim um dia – todas essas perdas no início da vida... É como ficar tonto.

Se ele sabe que terão uma vida juntos e continuar desperdiçando oportunidades, isso seria não amá-la? Se for sem querer, talvez não. (Talvez a opção “sem querer” não exista de verdade). Talvez ela não ligue, talvez esteja dando chance após chance...

Quando os sinos batem, as promessas voltam com o calor do verão ou de qualquer outra coisa e com as badaladas dos sinos. A lembrança da promessa está em todos os lugares, gravadas nas arvores da praça, no cheiro das pessoas na praça – ele só precisa cuidado para não ficar tonto.

Na última noite, só o vento e o muro da vizinha repararam quando ele prendeu a respiração de novo para girar a maçaneta da porta, porém estava latente – está latente para qualquer um ver – ele precisa de mais uma chance dessa vez.


Last Night, in my dreams, she said (she said for me)

“If you love me, love me as you are. Do it as you are, and don’t you turn back again”

2 comentários:

In Barlow disse...

show de bola!
é uma tradução?!
seguindo seu blog!
http://inbarlow.blogspot.com

Gabriel Revlon disse...

muito bom seu texto. Muito mesmo